sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Uma crítica sobre o impacto das redes sociais na vida das pessoas: a série Black Mirror como exemplo

Acadêmica: Leticia Pelentir Misturini (12101322)

O impacto das redes sociais na vida das pessoas: a série Black Mirror como exemplo

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Este artigo pretende falar sobre o impacto que as redes sociais vem causando na vida das pessoas em todo o mundo. É notório o quanto os seres humanos estão dependentes da tecnologia, e as redes sociais fazem parte deste grupo. Seja para organizar manifestações, encontrar amigos, compartilhar coisas do dia-adia ou simplesmente passar o tempo olhando o feed da linha do tempo do Facebook, as redes sociais prendem as pessoas. É muito difícil encontrar alguém que não possua perfil em ao menos uma rede social. Como exemplo, este artigo vai comentar sobe uma das séries do momento: Black Mirror, uma ficção - que bem poderia ser verdade e tem sim resquícios do comportamento atual da pessoas nas redes sociais - que trata sobre o quanto as pessoas se tornaram dependentes da tecnologia.

Para começar, tem-se que saber do que se trata Black Mirror. A seguir, apresenta-se o trailer da terceira temporada da série, disponível na Netflix:


A série gira em torno da tecnologia e dos efeitos que esta pode gerar. De modo geral, os episódios criam uma crítica sobre a relação que os homens estabeleceram com o mundo tecnológico. Além disso, cada episódio tem uma história própria, portanto, a série não segue um história com os mesmos personagens durante as temporadas, mas sim cada episódio é uma história e crítica únicas, com atores, cenários e datas diferentes. Neste artigo, irá se usar como exemplo das redes sociais e o seu impacto dois episódios muito interessantes e que tratam sobre o mesmo assunto, são eles: Nosedive (terceira temporada, primeiro episódio) e Hated in the nation (terceira temporada, sexto e último episódio).
É importante mencionar que, segundo Tomaél, Alcará e Di Chiara (2005, p. 93),

"A configuração em rede é peculiar ao ser humano, ele se agrupa com seus semelhantes e vai estabelecendo relações de trabalho, de amizade, enfim relações de interesses que se desenvolvem e se modificam conforme a sua trajetória. Assim, o indivíduo vai delineando e expandindo sua rede conforme sua inserção na realidade social".

De acordo a citação dos autores, pode-se inferir que é natural ao ser humano constituir redes de relacionamentos. As redes sociais, portanto, não deixam de ser uma forma de concretizar essas redes de relacionamentos, pois elas permitem contato e trocas de informações.
É bastante interessante olhar por este ângulo que os autores mencionam. No episódio Nosedive de Black Mirror, tem-se um exemplo de como os relacionamentos são importantes para a vivência em sociedade, ainda mais quando se leva em conta o fato de ter a vida inteira exposta em redes sociais. Esse episódio conta a história de uma moça que deseja comprar a casa dos sonhos mas, pra isso, é preciso que ela tenha uma determinada classificação na rede social, ou seja, ela precisa ter ao mínimo uma pontuação de 4,7, sendo que o máximo é 5. Esse episódio é uma crítica ao quanto nos expomos nas redes sociais e a falsidade que muitas vezes acontece nelas.
Bastante se escuta sobre o fato de que a vida não é tão perfeita como nas redes sociais". O fato é que em Nosedive, a personagem principal precisa desperadamente atingir uma pontuação que só se alcança se os outros classificarem ela na rede social e, para ganhar estrelas, ela sorri mesmo quando não quer sorrir, ela aceita desaforos mesmo quando eles são injustos e se torna muitas vezes falsa e passa uma imagem da sua vida que na verdade não é aquilo.
A seguir, um video com trechos desse episódio e comentários do criador da série e da atriz que fez a personagem principal:



Como diz o vídeo, Lacie vive a vida tentando agradar a todos e, sendo mais realista, o criador da série diz: é basicamente o mundo que vivemos atualmente. A imagem a seguir mostra uma charge criticando o número de amigos nas redes sociais:

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Muitos amigos nas redes sociais significa muitos amigo verdadeiros na vida real?

Bem, esse exemplo de Black Mirror não é tão fictício assim. Há não muito tempo atras, quando o Orkut ainda fazia sucesso, existia uma "classificação" de legal, confiável e sexy, onde as pessoas podiam clicar em quadradinhos, carinhas, corações no perfil dos usuários da extinta rede social. Se isso representava o que as pessoas realmente são na vida real, é difícil de saber. Tinha ainda os "depoimentos", que os amigos do Orkut podiam escrever e ficava à vista de todos que entrassem no perfil, dessa forma, os outros escreviam o quanto determinada pessoa era amável, querida, mas há de se convir que várias vezes esses depoimento não eram tão gratuitos, pois o pagamento era a devolução de um depoimento para a pessoa que escreveu no seu perfil, aquela coisa: você escreve no meu perfil e eu no seu!
Não é muito difícil de se lembrar destes:

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Os ícones do Orkut

Tomaél, Alcará e Di Chiara (2015, p.93) possuem uma citação interessante que cabe à esta discussão:

"As pessoas estão inseridas na sociedade por meio das
relações que desenvolvem durante toda sua vida, primeiro
no âmbito familiar, em seguida na escola, na comunidade
em que vivem e no trabalho; enfim, as relações que as
pessoas desenvolvem e mantêm é que fortalecem a esfera
social. A própria natureza humana nos liga a outras
pessoas e estrutura a sociedade em rede"

Mas o que são as ditas redes sociais? De acordo com Marteleto (apud Tomaél, Alcará e Di Chiara, 2015), redes sociais podem ser entendidas como "um conjunto de participantes autônomos, unindo idéias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados”. É relevante citar também que as "como um espaço de interação, a rede possibilita, a cada conexão, contatos que proporcionam diferentes informações, imprevisíveis e determinadas por um interesse que naquele momento move a rede, contribuindo para a construção da sociedade e direcionando-a".
Como qualquer novidade no universo tecnológico, as redes social são importantes para as pessoas. Ela tem muito impacto na vida moderna, mas também é difícil se desvincilhar de um instrumento que está tão em alta e que pode ajudar a solucionar problemas e diminuir barreiras. Em conformidade com Tomaél, Alcará e Di Chieara (2015), nota-se que as redes sociais estão presentes em qualquer âmbito da sociedade, seja ele estudantil, científico, pessoal ou profissional, pois ganha adeptos cada vez mais e leva pessoas a se envolver com outras que possuem mesmos interesses ou até mesmo por somente querer desenvolver redes de contato.
Como cada vez mais a Internet e as redes sociais estão ganhando espaço, é preciso tomar cuidado com as informações que são colocadas nas redes. Pouco tempo atrás a socialite Kim Kardashian foi assaltada no hotel que estava hospedada por assaltantes que levaram vários pertences dela. A principal acusada de ter favorecido o assalto, pelos sites de noticias, foi a rede social, mais especificamente o Instagram, neste caso. A culpa do Instagram recai no fato de que Kardashian posta muito de sua intimidade e dos lugarem onde está e por isso, se tornou mais fácil de ser rastreada e encontrada pelos criminosos.
Voltando a Black Mirror, o episódio Hated in the nation mostra exatamente esse desenvolvimento que a exposição tem nas redes sociais. No episódio, a própria tecnologia é usada contra as pessoas. A dita tecnologia é um software que controla abelhas robôs, já que no cenário do episódio as abelhas estão praticamente extintas e foi necessário criar uma forma de polinização, portanto, criaram abelas robôs que realizam o trabalho que os insetos fariam, e estas são controladas por um programa. No entanto, certas pessoas começam a ser atacadas e mortas por essas abelhas. O motivo? São pessoas odiadas na internet, porque postaram ou falaram algo nas redes sociais e os outros não gostaram. Ou seja, determinados usuários postaram coisas sobre preconceito, por exemplo, e os usuários da rede social começa a digitar #MorteA (mais o nome do personagem que está sendo odiado pela nação) como forma de escolher essa pessoa para ser atacada pelas abelhas e morrer. É uma crítica bem feita sobre o "cidadão de bem", aquele que não escreveu "nada" de errado nas redes sociais, mas que sem querer está matando alguém com apenas algumas palavras digitas em uma rede social. Esse episódio mostra a crueldade que pode ser disseminada na internet.
Não é preciso muita pesquisa para saber que coisas bem parecidas com a do episódio Hated in the nation acontecem. No meio deste ano de 2016, um médico do SUS, de nome Guilherme Pasqua, postou em seu perfil do Facebook uma imagem que tirava sarro do paciente que ele atendeu, José Lima, por este ter falado "peleumonia"e "raôxis". Segundo o site G1 (2016), o paciente estudou até a segunda série do ensino fundamental e não sabe falar corretamente algumas palavras, por causa do seu pouco estudo. O médio, no entanto, debochou do senhor e postou esta imagem no seu perfil:

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É claro que um enxurrada de críticas e comentários discordando do posicionamento do médico vieram à tona no seu perfil do Facebook e em toda a internet. Mesmo ele apagando a foto de seu perfil, a imagem já tinha se alastrado e causado muitos impactos, chegando até ao sobrinho do paciente, que ficou indignado e triste com a falta de profissionalismo do médico. As consequências também chegaram ao "profissional", pois ele foi afastado do seu cargo no hospital que ocorreu o caso. Em seu pedido de desculpas, publicado pelo G1, o médico diz que sua "imagem foi exposta a sociedade brasileira como um médico que maltrata as pessoas" (G1, 2016). É muito difícil esconder algo que foi parar na internet, mesmo com pedido de desculpas, a imagem do médico ainda fica manchada, pois as provas estão sendo disseminadas na web. Portanto, é preciso tomar cuidado com o que é mostrado nas redes sociais, pois essas informações podem gerar consequências gravíssimas.
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As pessoas são observadas o tempo todo pelas suas redes socais

A interação entre as pessoas é importante e fundamental para a vivência em sociedade. Os seres humanos não vivem sozinhos e precisam de relacionamentos. As redes sociais são importantes nesse processo e fazem parte da vida moderna, elas facilitam a comunicação das pessoas, quebram barreiras e tornam relacionamentos mais íntimos ao mesmo passo que afastam, pois é possível conhecer pessoas e saber de suas vidas de acordo com o que elas postam em seus perfis. Ainda assim, é fundamental que se tome cuidado para não ser refém das redes. Saber o que postar é como uma das novas regras das redes sociais, afinal, o que se coloca na internet pode gerar uma repercussão gigantesca, pois todos estão de olho e numa era digital poucas coisas passam despercebidas. A pergunta que fica é: será que estamos tão longe da realidade falada na ficção de Black Mirror?


Referências

G1. Médico debocha de paciente na internet: 'Não existe peleumonia'. Disponível em: <http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/07/apos-foto-medico-pede-desculpas-e-diz-foi-uma-brincadeira-de-facebook.html>. Acesso em: 17 de novembro de 2016.

G1. Após deboche na web, médico pede desculpas: 'brincadeira de Facebook'. Disponível em <http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/07/apos-foto-medico-pede-desculpas-e-diz-foi-uma-brincadeira-de-facebook.html>. Acesso em: 17 de novembro de 2016.

MIZRUCHI, Mark S. Análise de redes sociais: avanços recentes e controvérsias atuais. Revista de Administração de Empresas, 2006, 46.3: 72-86.

NETFLIX. Black Mirror. Disponível em: <https://www.netflix.com/searchq=black%20&jbv=70264888&jbp=0&jbr=0>. Acesso: 2016.

TOMAÉL, Maria Inês; ALCARÁ, Adriana Rosecler; DI CHIARA, Ivone Guerreiro. Das redes sociais à inovação. Ciência da informação, Brasília, 2005, 34.2: 93-104.

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