terça-feira, 19 de maio de 2026

Curtiu, Compartilhou e Perdeu Dinheiro: Os Riscos das Dicas Financeiras Virais nas Redes Sociais

Autora: Alessandra Madureira 

Disciplina: Redes Sociais e Virtuais 

Data: Maio de 2026



                 
Disponível em: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/um-homem-sentado-em-uma-cadeira-olhando-para-seu-celular-hGj9_mK3QyA

Imagine um vídeo de 60 segundos prometendo que você pode dobrar seu dinheiro em um mês investindo em criptomoedas, e esse vídeo sendo assistido dois milhões de vezes em 48 horas. Essa cena, cada vez mais comum no Brasil, revela uma tensão crescente na era digital: nunca se falou tanto sobre dinheiro nas redes sociais, mas nunca também houve tantos riscos escondidos em conteúdos financeiros que se tornam virais.

Para educadores e professores que buscam preparar seus alunos para o mundo contemporâneo, compreender esse fenômeno é uma obrigação pedagógica. Afinal, é na escola que se pode construir o pensamento crítico capaz de enfrentar, e filtrar o oceano de informações financeiras que circula diariamente no Instagram, TikTok, YouTube e WhatsApp.


O Crescimento dos "Finfluencers" no Brasil

O termo finfluencer — fusão de financial com influencer, descreve os criadores de conteúdo que se dedicam a falar sobre finanças nas redes sociais. No Brasil, esse universo cresceu de forma impressionante. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), em sua 8ª edição do relatório FInfluence, foram monitorados 741 influenciadores responsáveis por 1.662 perfis nas redes sociais, que publicaram cerca de 394 mil conteúdos no segundo semestre de 2024 apenas no X, YouTube, Instagram e Facebook. O engajamento médio dessas publicações registrou crescimento de 21%, alcançando 2.965 interações por publicação — o maior volume já registrado desde o início das pesquisas da associação (ANBIMA, 2024).

Esses números revelam o tamanho da influência dessas figuras. Para uma parcela expressiva da população jovem, os finfluencers tornaram-se a principal fonte de referência sobre investimentos, orçamento pessoal e consumo consciente. A linguagem acessível, os formatos curtos e a informalidade característica das plataformas digitais transformaram temas antes considerados áridos e técnicos em assuntos do cotidiano.

Contudo, há uma face preocupante nesse fenômeno. De acordo com o mesmo relatório da ANBIMA, 48% dos finfluencers mantinham alguma relação comercial com empresas do mercado financeiro, como bancos e corretoras, e esse endosso nem sempre fica evidente para o público consumidor do conteúdo. Além disso, esses influenciadores não são necessariamente economistas, analistas ou investidores habilitados: a principal categoria de atuação é a de "produtor de conteúdo", como eles mesmos se definem.

📺 Para entender como esse ecossistema funciona, assista ao especial do canal ANBIMA no YouTube sobre o relatório FInfluence.


Dicas Virais: Entre a Informação e a Desinformação

Nem todo conteúdo financeiro viral é necessariamente falso, mas a lógica das redes sociais, que premia o engajamento rápido e a simplificação — é estruturalmente incompatível com a complexidade do mundo das finanças. Um conselho sobre investimentos que ignora o perfil de risco do investidor, o prazo, a tributação e o contexto econômico pode causar prejuízos reais a quem o segue sem crítica.

Pesquisadores do Swiss Finance Institute conduziram um estudo em julho de 2023 avaliando o impacto real dos finfluencers. Os resultados indicaram que uma parcela expressiva dos investidores de varejo decide onde aplicar seu dinheiro com base em recomendações de influenciadores digitais, muitas vezes sem verificar as credenciais de quem os aconselha.

O cenário ganha contornos ainda mais preocupantes quando se observa a proliferação de conteúdos gerados com Inteligência Artificial. Um estudo do Observatório Lupa revelou que conteúdos falsos gerados com IA aumentaram 308% entre 2024 e 2025 no Brasil, circulando principalmente em redes sociais e aplicativos de mensagens, muitas vezes em forma de anúncios patrocinados ou vídeos virais (LUPA, 2025).


Os Golpes Financeiros: Quando o Viral Vira Armadilha


A fronteira entre uma dica financeira imprecisa e um golpe deliberado pode ser tênue. No Brasil, o avanço dos crimes financeiros digitais tem sido vertiginoso. Dados do DataSenado apontam que 24% dos brasileiros adultos foram vítimas de golpes digitais nos últimos 12 meses. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), as perdas geradas giram em torno de R$ 10,1 bilhões em 2024 (FEBRABAN, 2024).

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 revelou um aumento de 13,6% no número de estelionatos digitais entre 2022 e 2023, enquanto houve uma redução de quase 30% de roubos físicos a bancos, evidenciando uma clara migração dos crimes para o ambiente virtual (FBSP, 2024).

Entre os golpes mais comuns praticados por meio das redes sociais, destacam-se:

  • Falsos investimentos: promessas de retornos extraordinários em curto prazo, frequentemente associadas a criptomoedas;

  • Esquemas pump-and-dump: valorização artificial de ativos promovida por influenciadores pagos, seguida de venda rápida pelos organizadores do golpe;

  • Anúncios maliciosos: segundo pesquisa do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab/UFRJ), as plataformas da Meta, Facebook, Instagram e WhatsApp estão sendo utilizadas por golpistas para veicular anúncios enganosos que imitam comunicações governamentais, como programas de benefícios e auxílios fictícios;

  • Deepfakes financeiros: vídeos manipulados com IA que simulam declarações de celebridades ou especialistas recomendando investimentos fraudulentos.

🔗 Leia a reportagem completa da Agência Brasil sobre o estudo do NetLab/UFRJ: Redes da Meta facilitam aplicação de golpes financeiros


O Papel do Educador Diante Desse Cenário

Se as redes sociais são o principal ambiente onde os jovens consomem informações financeiras inclusive as equivocadas, a escola precisa se posicionar como espaço de leitura crítica desses conteúdos. Mais do que ensinar fórmulas de juros compostos, o professor contemporâneo é chamado a exercer um papel de mediador da informação digital.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já aponta esse caminho. A educação financeira está incluída no documento como tema transversal contemporâneo, inserido na macroárea de Economia, e pode ser trabalhada de forma interdisciplinar em todas as áreas do conhecimento de Matemática a Língua Portuguesa, passando por História e Ciências (BNCC, 2018). No ensino médio, a BNCC registra que "cresce a importância da educação financeira e da compreensão do sistema monetário contemporâneo nacional e mundial, imprescindíveis para uma inserção crítica e consciente no mundo atual".

Em abril de 2025, o Ministério da Educação (MEC) apresentou um novo programa nacional dedicado à educação para a cidadania financeira, fiscal, previdenciária e securitária nas escolas brasileiras de educação básica. Na ocasião, o gerente de projetos do Conselhão da Presidência da República, Adriano Laureno, afirmou ser "fundamental disputar, por meio da disseminação do conhecimento, com narrativas que pregam um enriquecimento fácil, uma certa ilusão desse cenário" (MEC, 2025).

Contudo, o desafio é real: uma pesquisa do Instituto XP e da Nova Escola apontou que 59% dos professores afirmam não ter recebido formação sobre educação financeira e não ter acesso a materiais didáticos de qualidade para trabalhar o tema com os alunos.

🔗 Saiba mais sobre como a BNCC aborda a educação financeira no portal Porvir.


Como Abordar o Tema em Sala de Aula?

A seguir, algumas abordagens práticas que educadores podem adotar para trabalhar os riscos das dicas financeiras virais:

1. Análise crítica de conteúdo Selecionar um vídeo viral de finfluencer e propor uma análise coletiva: quem é esse criador? Ele tem habilitação? Qual é o interesse comercial por trás do conteúdo? Há fontes verificáveis?

2. Comparação entre fontes confiáveis e não confiáveis Apresentar ao lado do conteúdo viral materiais produzidos por fontes reguladas, como o Banco Central do Brasil, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ou o programa Aprender Valor, do Banco Central.

3. Simulação de golpes digitais Criar situações hipotéticas (sem links reais) para que os alunos identifiquem características típicas de fraudes: promessas de ganhos muito acima do mercado, senso de urgência artificial, ausência de CNPJ ou registro regulatório.

4. Projeto interdisciplinar Integrar a discussão com Língua Portuguesa (análise do discurso persuasivo em textos publicitários), Matemática (cálculo de juros e rentabilidade realista) e Ciências Humanas (contexto socioeconômico do endividamento no Brasil).

 

As redes sociais democratizaram o acesso à informação financeira, e isso tem valor. Contudo, democratizar o acesso não significa garantir a qualidade ou a segurança dessa informação. No atual ecossistema digital, onde um vídeo de 60 segundos pode convencer um jovem a investir as economias da família em um ativo fraudulento, a escola e seus educadores ocupam uma posição insubstituível.

Formar cidadãos financeiramente letrados não é mais uma tarefa opcional ou restrita à disciplina de Matemática. É uma demanda urgente de cidadania digital, e os professores são seus principais agentes. Reconhecer os riscos das dicas financeiras virais, debatê-los em sala de aula e desenvolver o olhar crítico dos estudantes são ações que vão muito além de qualquer algoritmo ou trend do TikTok.


Referências

ANBIMA. FInfluence: Quem fala de investimentos nas redes sociais. 8. ed. São Paulo: ANBIMA, 2024. Disponível em: https://www.anbima.com.br/pt_br/especial/influenciadores-de-investimentos-8.htm. Acesso em: mai. 2026.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: mai. 2026.

BRASIL. Ministério da Educação. Programa de educação financeira é apresentado pelo MEC. Brasília: MEC, abr. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/abril/programa-de-educacao-financeira-e-apresentado-pelo-mec. Acesso em: mai. 2026.

FEBRABAN. Golpes bancários mais frequentes em 2024/2025. São Paulo: Federação Brasileira de Bancos, 2025. Disponível em: https://em.com.br/emfoco/?p=4122. Acesso em: mai. 2026.

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024. São Paulo: FBSP, 2024. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/anuario-brasileiro-seguranca-publica/. Acesso em: mai. 2026.

FRASÃO, Anderson; HEINRICH, Tiago; FULBER-GARCIA, Vinicius. O Cenário Atual de Golpes em Redes Sociais: Uma Revisão da Literatura. In: Computer on the Beach (COTB), 2025, Itajaí. Anais [...]. Itajaí: UNIVALI, 2025. Disponível em: https://www.inf.ufpr.br/vinicius/files/COTB-2025-1.pdf. Acesso em: mai. 2026.

GIRO. Golpes com IA: confira 5 dicas para se proteger. 2026. Disponível em: https://girosa.com.br/golpes-com-ia-confira-5-dicas-para-se-proteger/. Acesso em: mai. 2026.

NETLAB/UFRJ. Redes da Meta facilitam aplicação de golpes financeiros. Agência Brasil, 7 fev. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-02/redes-da-meta-facilitam-aplicacao-de-golpes-financeiros-aponta-estudo. Acesso em: mai. 2026.

PORVIR. Educação financeira: da BNCC para o dia a dia do estudante. 2024. Disponível em: https://porvir.org/educacao-financeira-bncc-dia-a-dia-estudante/. Acesso em: mai. 2026.

SAE DIGITAL. Educação Financeira — Como trabalhá-la em sala de aula? 2023. Disponível em: https://sae.digital/educacao-financeira-como-trabalha-la-em-sala-de-aula/. Acesso em: mai. 2026.

SENADO FEDERAL. Golpes virtuais aumentam e não fazem distinção de idade. Brasília: Senado Notícias, abr. 2025. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2025/04/golpes-virtuais-aumentam-e-nao-fazem-distincao-de-idade. Acesso em: mai. 2026.


Termo de Uso de Inteligência Artificial

Este artigo foi produzido com o auxílio da ferramenta de Inteligência Artificial Claude (Anthropic), utilizada para sugestão de estrutura, pesquisa de dados e apoio à redação. Todo o conteúdo foi revisado, adaptado e validado pelo autor, que assume integral responsabilidade pela veracidade das informações, pela originalidade do texto e pela adequação às normas acadêmicas. O uso da IA ocorreu de forma transparente e complementar ao processo de escrita, em conformidade com as diretrizes institucionais aplicáveis.


Você está no controle, ou as redes sociais estão no controle de você?

Você está no controle, ou as redes sociais estão no controle de você?

Autora: Liandra Margarete Ferreira  
Disciplina: EGC5020 - Redes Sociais e Virtuais
Data: Maio de 2026




MISHRA, Sanket. Uso de redes sociais. [Fotografia]. [s.d.]. Disponível em: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/uma-pessoa-deitada-na-cama-segurando-um-telefone-celular-R7aBdi5OHtA. 
Acesso em: maio 2026.

Você abre o Instagram "por um segundo" e, quando percebe, já se passaram 47 minutos. Soa familiar? Não é acidente, é engenharia. As redes sociais foram projetadas para isso.
Segundo o relatório Data Report 2024, da We Are Social e Meltwater, os brasileiros passam, em média, 3 horas e 37 minutos por dia exclusivamente em redes sociais, e o país figura entre os maiores consumidores de plataformas digitais do mundo, com cerca de 144 milhões de usuários ativos (WE ARE SOCIAL; MELTWATER, 2024). Em um ano, esse tempo equivale a mais de 55 dias inteiros de vida. Dias que poderiam ser de foco, criação, descanso real ou conexão genuína.

Por que é tão difícil parar?

A resposta está no nosso cérebro. As redes sociais exploram o mesmo mecanismo de recompensa dos jogos de azar: a dopamina. Cada curtida, cada comentário novo, cada notificação é uma pequena dose de prazer imprevisível , e é exatamente essa imprevisibilidade que cria o comportamento compulsivo.

O documentário O Dilema das Redes (The Social Dilemma, Netflix, 2020), que reúne ex-engenheiros e designers de empresas como Google, Facebook e Twitter, escancarou esse mecanismo ao mundo. Tristan Harris, ex-designer do Google e um dos entrevistados, cunhou o termo "economia da atenção": sua atenção é o produto vendido para anunciantes. Quanto mais tempo você passa nas plataformas, mais valioso você se torna, para elas, não para você.

🎬 Assista ao documentário: O Dilema das Redes — Netflix


Os números que o Brasil não pode ignorar

Os dados brasileiros são alarmantes. O Panorama da Saúde Mental 2024, realizado pelo Instituto Cactus com 3.266 brasileiros acima de 16 anos, constatou que o uso excessivo de redes sociais está associado a 45% dos casos de ansiedade em jovens no país (INSTITUTO CACTUS, 2024).

Outro levantamento, publicado na Revista Foco (2024), revelou que:

  • 70% dos participantes relataram angústia emocional após uso prolongado de redes sociais, principalmente por comparação com outros usuários;
  • 65% mencionaram problemas com o sono, afirmando usar redes sociais até tarde da noite (MATOS; GODINHO, 2024).

Esses dados dialogam com o que a Fiocruz aponta em seu portal de saúde: o uso excessivo das redes sociais guarda relação direta tanto com ansiedade quanto com depressão, criando uma retroalimentação perigosa, quem já sofre com transtornos mentais tende a usar mais as plataformas, e o uso excessivo agrava ainda mais esses transtornos (FIOCRUZ, 2025).


E a produtividade? O que a ciência diz

O impacto nas rotinas de trabalho e estudo é igualmente preocupante. De acordo com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, o uso de redes sociais sem fins profissionais durante o horário de trabalho compromete prazos, prejudica a reputação do colaborador e afeta diretamente os resultados das empresas (MACKENZIE, 2024).

O problema tem raiz neurológica: nosso cérebro não foi feito para multitasking real. Cada vez que interrompemos uma tarefa para checar o feed, precisamos de tempo para retomar o mesmo nível de foco, e esse tempo some sem que percebamos, acumulando um prejuízo invisível ao longo do dia.

A CNN Brasil reforça esse cenário ao citar a pesquisa Consumer Pulse, da Bain & Company, que identificou que a hiperconexão já começa a causar desconforto entre os próprios brasileiros, com um crescente desejo por equilíbrio e uma relação mais saudável com a tecnologia (CNN BRASIL, 2025).


Isso é vício de verdade?

A discussão sobre se o uso compulsivo de redes sociais constitui um "vício" clínico ainda é debatida entre especialistas. O que não se discute é que os sintomas são reais: irritação quando privado do celular, dificuldade de resistir ao impulso de checar o feed e prejuízos concretos na vida cotidiana.

Pesquisadores da University College London (UCL), citados pela CNN Brasil, mostraram que adolescentes com dependência de internet apresentam alterações cerebrais que podem levar a mudanças de comportamento e aumento nas tendências de dependência (CNN BRASIL, 2024).

No Brasil, a Revista Foco publicou em 2024 uma revisão sistemática de literatura analisando o impacto do uso excessivo de redes sociais na saúde mental de jovens brasileiros, e os resultados apontam para uma correlação preocupante com ansiedade, depressão e distúrbios do sono (NORONHA et al., 2024).


O que podemos fazer?

A boa notícia: pequenas mudanças têm impacto real. Não se trata de deletar tudo e sumir do mundo digital, mas de recolocar você no controle da sua própria atenção. A própria Mackenzie sugere medidas práticas (2024):

1. Desative notificações sempre que possível e verifique as redes em horários definidos, não continuamente.

2. Crie blocos de foco, períodos sem celular durante o trabalho ou os estudos, usando técnicas como o método Pomodoro (25 minutos de foco, pausa de 5 minutos).

3. Monitore seu uso, ferramentas como o Screen Time (iOS) e o Digital Wellbeing (Android) mostram exatamente quanto tempo você gasta em cada aplicativo. O simples ato de ver os números já muda o comportamento.

4. Substitua o scroll passivo por consumo intencional, siga perfis que agregam, mute o que drena, e entre nas plataformas com um objetivo claro.


As redes sociais não são inimigas. Conectam pessoas, democratizam informação e criam oportunidades reais. O problema não é usá-las, é ser usado por elas. A diferença entre os dois está na consciência.

Da próxima vez que você abrir o Instagram no automático, vale perguntar: fui eu que quis abrir, ou foi o hábito? Essa pergunta, pequena como parece, pode mudar sua relação com a tecnologia, e recuperar horas que são completamente suas.


Referências

CNN BRASIL. Brasileiros que passam mais tempo nas redes sociais são os que têm ansiedade. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-que-passam-mais-tempo-nas-redes-sociais-sao-os-que-tem-ansiedade/. Acesso em: maio 2026.

CNN BRASIL. Mais de 9h online por dia: hiperconexão preocupa brasileiros, diz estudo. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/mais-de-9h-online-por-dia-hiperconexao-preocupa-brasileiros-diz-estudo/. Acesso em: maio 2026.

FIOCRUZ. Refletindo sobre a saúde mental e o uso excessivo de redes sociais. Instituto Benjamin Constant, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/ibc/pt-br/assuntos/noticias/refletindo-sobre-a-saude-mental-e-o-uso-excessivo-de-redes-sociais. Acesso em: maio 2026.

INSTITUTO CACTUS. Panorama da Saúde Mental 2024. São Paulo, 2024.

MACKENZIE, Universidade Presbiteriana. Impactos do excesso do uso das redes sociais na saúde mental e na produtividade. 2024. Disponível em: https://www.mackenzie.br/memorias/150-anos/acontece/arquivo/n/a/i/impactos-do-excesso-do-uso-das-redes-sociais-na-saude-mental-e-na-produtividade. Acesso em: maio 2026.

MATOS, K. A.; GODINHO, M. O. D. A influência do uso excessivo das redes sociais na saúde mental de adolescentes: uma revisão integrativa. Revista Foco, 2024.

NORONHA, J. F. M. et al. Avaliando o impacto do uso excessivo das redes sociais na saúde mental dos jovens no Brasil: revisão sistemática da literatura. Revista Foco, v. 17, n. 11, e6278, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n11-099. Acesso em: maio 2026.

THE SOCIAL DILEMMA. Direção: Jeff Orlowski. Netflix, 2020. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/81254224.

WE ARE SOCIAL; MELTWATER. Data Report 2024 Brasil. 2024. Disponível em: https://wearesocial.com/br/blog/2024/01/digital-2024/. Acesso em: maio 2026.

MISHRA, Sanket. Uma pessoa deitada na cama segurando um telefone celular. [Fotografia]. [s.d.]. Disponível em: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/uma-pessoa-deitada-na-cama-segurando-um-telefone-celular-R7aBdi5OHtA. Acesso em: maio 2026.


Termo de Uso de Inteligência Artificial

Eu, Liandra, declaro que o presente artigo foi elaborado com o auxílio da ferramenta de Inteligência Artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic (disponível em: https://claude.ai), utilizada exclusivamente como suporte na organização de ideias, estruturação do texto e revisão da escrita.

A utilização da ferramenta ocorreu da seguinte forma:

  • Ferramenta utilizada: Claude (Anthropic) — versão Sonnet 4.6
  • Finalidade: Apoio na redação, organização estrutural e sugestão de fontes para o artigo
  • Data de uso: Maio de 2026

Uso da Inteligêcia Artificial para planejamento de aulas de matemática

    COMO O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE AJUDAR OS PROFESSORES DE MATEMÁTICA A TORNAREM SUAS AULAS MAIS DINÂMICAS E ATRATIVAS

Por Tainara Markus

Imagem retirada de Revista Ensino Superior (2024)


    Muitas vezes, planejar uma aula se torna uma tarefa difícil, a depender do conteúdo a ser trabalhado, da turma, das condições físicas da escola, dentre outros diversos fatores que um professor deve levar em consideração durante seu planejamento. Desta forma, é importante que professores adotem novas maneiras de planejamento, para que o processo se torne prazeroso, tanto durante o planejamento, quanto na execução do mesmo.


    Inclusive, uma das habilidades mencionadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é:

    

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BRASIL, 2018, p.9).

 

     De acordo com o artigo Explorando a Utilização da IA no planejamento de aulas de matemática, Quadros e Meneghetti (2025) afirmam que

Recursos digitais fornecem aos professores a possibilidade de elaborar materiais de ensino visualmente atrativos e altamente interativos, adaptados de forma precisa às necessidades e interesses individuais de seus alunos. Ao fazer uso desses aplicativos, os educadores podem proporcionar uma experiência de aprendizagem mais envolvente e eficaz, aproveitando ao máximo o potencial das tecnologias disponíveis na atualidade.

 
Imagem retirada de Plano de aula com IA: como ter coerência pedagógica?


    Mas apesar da utilização da IA na produção do material, o professor continua desenvolvendo a principal função, que é revisar, adaptar e levar o contúdo até a sala de aula, tendo em vista que, quem tem o contato diário e conhece a realidade em que a turma está inserida é o professor. 
Imagem retirada de Os erros comuns ao usar IA para estudar


    De acordo com TEIXEIRA (2024) em sua discertação Aplicação de IA no processo de ensino aprendizagem – experimento em aulas de matemática um dos pontos negativos da IA é apresentado da seguinte forma:

"as ferramentas de pesquisa alimentadas por IA geram textos com base em seus bancos de dados. Elas são treinadas para produzir respostas plausíveis, reunindo elementos frequentemente citados por diversas fontes. No entanto, nem sempre essas informações são verídicas, o que pode contribuir para a disseminação de desinformção e notícias falsas."

 

    Dito isso, é importante enfatizar que todo planejamento feito por uma IA deve ser revisado com cautela e adaptado caso se faça necessário. Assim como Silva, Santana e Santana (2024) comentam em CHATGPT COMO RECURSO AUXILIAR NA ELABORAÇÃO DE AULAS DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA sobre os cuidados ao utilizar o ChatGPT para criação de plano de aula:

"é importante ressaltar que as informações geradas pelo ChatGPT não estão sempre corretas. Já se discute na comunidade acadêmica o conceito de “artificial hallucinations” (ALKAISSI; MCFARLANE, 2023), que se refere a uma possível limitação dos sistemas de geração de texto por IA, que podem gerar respostas aparentemente coerentes e corretas, mas que na verdade são formados por um “amálgama” de textos verdadeiros e fabricados, criando respostas incorretas ou enganosas, as tais “alucinações artificiais”. Por isso é essencial que se avalie criticamente as respostas produzidas por esses sistemas (SANT’ANA; SANT’ANA; SANT’ANA, 2023)."

 

    Desta forma, a partir dos conhecimentos corretos e cuidados a serem tomados, conseguimos aos poucos, de uma maneira menos desgastante, tentar tornar o ensino e a apredizagem de matemática mais satisfatória. Tendo em vista que, essas ferramentas podem ajudar a tornar a matemática mais visual e menos abstrata, considerando que essa é uma das principais dificuldades dos estudantes, conseguir interpretar a abstração dos conteúdos matemáticos e dos professores ao tentar fazer os estudandes compreender. Assim como confirma Evangelista et al. (2025) em seu artigo Impactos da incorporação da Inteligência Artificial no ensino de Matemática

As  tecnologias digitais  vêm  proporcionando  novas  formas  de  visualizar,  entender  e  interagir com conceitos matemáticos. O uso dessa ferramenta no ensino de Matemática deve ser   compreendido como uma   maneira   de   ampliar e enriquecer   as   práticas pedagógicas,  destacando  a  exploração  de  múltiplas representações,  como  tabelas, gráficos,   imagens,   entre   outros   elementos   da   interface, proporcionando   uma experiência  de  aprendizagem  mais  dinâmica  e  interativa,  conforme  dispõe Castro(2016).


    Além disso, Evangelista et al. (2025) afirma que segundo (Mattos, 2022)

A IA pode oferecer também, no ensino de Matemática, a tutoria inteligente, que se refere a um sistema avançado de ensino em que são projetados para fornecer instrução personalizada e adaptativa aos estudantes. Os sistemas de tutoria inteligente podem adaptar o conteúdo e o ritmo de ensino com base nas respostas e no progresso dos estudantes, proporcionando um ambiente de aprendizagem mais competente e personalizado. Esses sistemas utilizam algoritmos para identificar áreas de dificuldade e fornecer informações, que podem aumentar significativamente a motivação e o engajamento dos estudantes.

 

    Desta forma, podemos concluir que o uso de IA na educação de matemática, se utilizada de maneira correta, pode trazer muitos beneficios tanto para os alunos, na personalização de seus estudos e onde deve ter maior foco, quanto para os professores no planejamento de aulas mais atrativas. 

Imagem retirada de Matemática e Inteligência Artificial


REFERÊNCIAS:

QUADROS, Samanta Medina de; MENEGHETTI, Cinthya Maria Schneider. Explorando a utilização de IA no planejamento de aulas de Matemática. Educação Matemática em Revista - Rs, [S.L.], v. 1, n. 26, p. 1-21, 18 abr. 2025. Sociedade Brasileira de Educacao Matematica. http://dx.doi.org/10.37001/emr-rs-v.1-n.26-2025.4510. 

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf


SILVA, Felipe Queiroz da; SANT'ANA, Irani Parolin; SANT'ANA, Claudinei de Camargo. O CHATGPT COMO RECURSO AUXILIAR NA ELABORAÇÃO DE AULAS DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA. Ensino de Ciências e Tecnologia em Revista – Encitec, [S.L.], v. 14, n. 3, p. 301-314, 16 dez. 2024. Universidade Regional Integrada do Alto U​ruguai e das Missoes. http://dx.doi.org/10.31512/encitec.v14i3.1897.  


TEIXEIRA, Jhonatan Cruz. Aplicação de IA no processo de ensino aprendizagem – experimento em aulas de matemática. 2024. 68 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Matemática) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2024. 


EVANGELISTA, Anne Heloísa Alves; MOTA, Janine Freitas; LOPES, Rieuse; OLIVEIRA, Saulo Macedo de. Impactos da incorporação da Inteligência Artificial no ensino de Matemática: um Estado do Conhecimento. Educitec - Revista de Estudos e Pesquisas sobre Ensino Tecnológico, Manaus, Brasil, v. 11, n. jan./dez., p. e265425, 2025. DOI: 10.31417/educitec.v11.2654. Disponível em: https://sistemascmc.ifam.edu.br/educitec/index.php/educitec/article/view/2654. Acesso em: 19 maio. 2026.