Autor: Lucas da Silva Casagrande
Matrícula: 22101249
Disciplina: EGC5020-09318 - Redes Sociais e Virtuais
1. Introdução
O mercado de apostas esportivas se intensificou no Brasil.
Com a recente regulamentação e uma paixão nacional por esportes, especialmente
o futebol, milhões de brasileiros estão engajados no setor. Nesse cenário, a
Inteligência Artificial deixa de ser uma promessa futura e se torna uma
ferramenta presente, mudando a forma como as pessoas apostam. Se antes a aposta
era baseada na intuição ou no "sentimento" sobre um time, hoje ela é
cada vez mais movida por dados. A IA é usada para analisar uma quantidade
massiva de informações, muito além do que qualquer ser humano poderia processar,
para encontrar padrões e, idealmente, gerar lucro. Este artigo fala sobre os principais modelos de inteligência artificial, explica como
esses modelos funcionam e quais os
riscos envolvidos.
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Fonte: https://gamblespot.com/blog/ai-sports-betting-continues-to-evolve-in-2024 |
2. Técnicas de Inteligência Artificial
Prever um resultado esportivo é incrivelmente complexo. A IA
tenta decifrar essa complexidade usando diferentes tipos de modelos, que
aprendem com dados históricos. Um estudo de Kollár (2021) revisou as técnicas
mais populares:
- Redes Neurais (Deep Learning): São modelos que tentam imitar o funcionamento do cérebro humano para aprender com os dados. Algoritmos como o MLP são frequentemente usados para prever resultados de futebol.
- Outros Modelos Clássicos: Além das redes neurais, modelos como Support Vector Machines (SVM) e o Random Forest (Floresta Aleatória), são muito usados por sua capacidade de classificar dados e encontrar padrões.
- Modelos Híbridos: Estudos mais recentes, como o de Alves (2022), exploram a combinação de modelos (como LSTM + CNN ou Random Forest + LSTM) para analisar não apenas estatísticas, mas também o "momento" temporal de uma equipe (a sequência de resultados recentes).
3. Como a IA funciona
O processo começa com a recolha de um grande volume de dados históricos para extrair estatísticas e resultados de partidas de futebol
Após a extração e tratamento dos dados, o modelo é "ensinado" e "testado" através da análise de colunas (features) relevantes
- Vitórias, derrotas e empates nos últimos 5 jogos (em casa ou fora)
.
- Média de gols marcados e sofridos
.
Classificação da equipe na liga
. Estatísticas de confrontos diretos entre as duas equipes
O estudo concluiu que a probabilidade de a IA acertar o vencedor é maior em ligas com jogos mais regulares (como as ligas nacionais portuguesa, francesa e inglesa) do que em campeonatos onde as equipes jogam entre si com menos frequência (como a Liga dos Campeões)
Portanto, embora o estudo tenha utilizado dados do futebol europeu, a sua conclusão sugere que esta mesma metodologia pode ser aplicada ao futebol brasileiro.
4. O papel da IA nas apostas esportivas
Do ponto de vista dos operadores de mercado (casas de apostas), a IA é empregada no desenvolvimento de modelos preditivos sofisticados. Esses algoritmos processam grande quantidade de dados (big data) para calcular as odds (probabilidades) com maior acurácia. A consequência direta é a oferta de probabilidades que convergem com maior fidedignidade à probabilidade real dos eventos, promovendo um aumento na eficiência informacional do mercado.
Paralelamente, a IA faculta aos apostadores o acesso a ferramentas analíticas avançadas, anteriormente indisponíveis. Modelos de Machine Learning, como os descritos na seção 2, podem identificar padrões e correlações complexas que escapam à análise humana intuitiva, fornecendo subsídios para a tomada de decisão. Isso permite a formulação de estratégias de apostas mais fundamentadas e metodológicas. Observa-se, portanto, uma transição de abordagens baseadas predominantemente na intuição para métodos mais analíticos e estratégicos, alterando a dinâmica de interação entre apostadores e o mercado.
Porém, vale destacar que, para o apostador, o acesso a ferramentas preditivas baseadas em IA pode criar uma falsa sensação de segurança. A dependência excessiva de modelos estatísticos frequentemente ignora a aleatoriedade inerente aos eventos esportivos e a ocorrência de eventos raros e imprevisíveis que modelos baseados em dados históricos podem falhar em capturar.

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