De
Vitrine a Conversa: Como as Redes Sociais Redefiniram o Elo Entre Marcas e
Consumidores
Em
um país onde a população passa quase 30 horas por semana em plataformas
digitais, a relação entre empresas e clientes migrou do balcão para o feed — e
não há volta.
Por: Thais Migueis da Silva
Disciplina:
Redes Sociais e Virtuais
Publicado em: Maio de
2026
Nem
faz tanto tempo que a comunicação era só de uma mão: a marca falava e o
consumidor escutava. Eram cartazes, comerciais de TV e jingles de rádio, tudo
muito pensado para empurrar uma mensagem única. Quando o público respondia, era
aos poucos, em pesquisas de satisfação ou em cartas para o SAC, às vezes meses
depois. Com as redes sociais isso mudou tudo. Hoje o consumidor conversa,
pergunta, elogia, reclama e, acima de tudo, influencia, em tempo real e com o
celular na mão.
O
Brasil ocupa posição de destaque nessa transformação. Segundo o relatório Digital
2025: Brazil, produzido pela DataReportal em parceria com We Are Social
e Meltwater, o país registrou, em janeiro de 2025, 144 milhões de
usuários ativos em redes sociais, equivalentes a 67,8% da população. O
número não é apenas expressivo: ele posiciona o Brasil como um dos mercados
mais conectados e engajados do planeta.
144M Usuários ativos em redes sociais no
Brasil (jan. 2025)
29h Média semanal dos brasileiros nas
redes sociais
70% Consumidores que usam o Instagram
para decisões
R$37,9bi Investimento em mídia digital no
Brasil em 2024
Mas
o que esses números significam concretamente para as marcas? A resposta está na
profunda reconfiguração da jornada do consumidor. Se antes o caminho entre a
descoberta e a compra de um produto passava, necessariamente, por canais
controlados pelas empresas — propagandas, pontos de venda, catálogos —, hoje
esse percurso é mediado pelas plataformas digitais e, sobretudo, pelas pessoas
que as habitam.
O
Consumidor Como Protagonista
A
pesquisa Comportamento
do Consumidor Brasileiro no Digital em 2025, publicada pela plataforma
Publya, revela que o Instagram se consolidou como a principal fonte de
inspiração de compras para 81,7% dos consumidores. O dado é revelador: antes
mesmo de recorrer a buscadores ou aos sites oficiais das marcas, o brasileiro vai
às redes sociais em busca de referências, tendências e, sobretudo, da opinião
de outras pessoas.
Esse
comportamento transforma o papel do consumidor de receptor passivo em agente
ativo da comunicação de marca. Avaliações, comentários, unboxings e reviews
postados organicamente por usuários comuns passaram a ter um peso que nenhuma
campanha milionária consegue replicar integralmente. Segundo dados compilados
pela plataforma Goodds, 78%
dos consumidores brasileiros afirmam confiar mais em conteúdo gerado por
usuários reais do que em publicidade tradicional.
"O consumidor deixou de ser espectador para
assumir o papel de criador, influenciador e consumidor ativo ao mesmo
tempo."
—
Mundo do Marketing, nov. 2025
Do
SAC ao DM: A Transformação do Atendimento
Um
dos aspectos mais visíveis dessa mudança está no atendimento ao cliente. O
antigo Serviço de Atendimento ao Consumidor, o famoso SAC telefônico — com suas
músicas de espera e atendentes robotizados —, cedeu espaço aos Direct Messages,
aos comentários públicos e, principalmente, ao WhatsApp. Segundo dados da DataReportal
(2024), 55% dos consumidores brasileiros utilizam o WhatsApp para contatar
empresas.
Essa migração não é meramente tecnológica. Ela representa uma mudança profunda de expectativas: o consumidor de hoje quer respostas rápidas, personalizadas e num tom humano. Uma reclamação não respondida no Instagram ou no X (antigo Twitter) pode viralizar em horas, transformando um problema individual em uma crise de imagem de proporções nacionais. Da mesma forma, uma resposta criativa e empática de uma marca pode gerar mais engajamento orgânico do que uma campanha publicitária paga.
O smartphone
tornou-se o principal ponto de contato entre consumidores e marcas no Brasil,
com mais de 90% dos acessos às redes
sociais feitos pelo celular. | Foto: Unsplash
Influenciadores:
A Nova Mídia de Massa
Central
nessa nova dinâmica está a figura do influenciador digital. Criadores de
conteúdo que constroem comunidades em torno de nichos específicos —
gastronomia, moda, finanças, games, saúde — tornaram-se vetores privilegiados
de comunicação de marca. Segundo a pesquisa ROI
& Influência 2025, 98% das marcas brasileiras que trabalham com
marketing de influência escolhem o Instagram como principal plataforma, seguido
pelo TikTok, com 71%.
A
lógica é direta: o influenciador já construiu a confiança que a marca deseja
conquistar. Quando um criador recomenda um produto de forma autêntica, dentro
do contexto de sua audiência, a mensagem chega de forma muito mais eficaz do
que qualquer anúncio convencional. O relatório da DoubleVerify confirma que,
globalmente, 54% dos consumidores reconhecem que influenciadores digitais
impactam suas decisões de consumo.
O
TikTok, em particular, representa uma fronteira nova e dinâmica. Dados
citados pelo Mundo do Marketing indicam que 41% da Geração Z descobre
produtos por meio de vídeos curtos de influenciadores, confirmando que a
confiança migrou dos mecanismos de busca para os criadores de conteúdo. O
TikTok Shop — recurso de compras integrado à plataforma — registrou, nos EUA,
vendas na Black Friday 2024 que triplicaram em relação ao ano anterior, segundo
a Bloomberg.
Collabs
de Lifestyle: Quando Duas Marcas Contam a Mesma História
Uma
das expressões mais visíveis dessa nova relação entre marcas e consumidores são
as chamadas "collabs" — parcerias de cocriação entre empresas de
segmentos distintos que, juntas, lançam produtos, coleções ou experiências
exclusivas. Reportagem publicada pela Forbes Brasil, em abril de 2026, destaca como esse tipo de
colaboração, ancorada no universo do lifestyle, vem se consolidando como
ferramenta estratégica para aproximar marcas do cotidiano emocional de seus
públicos.
O
termo collab nasce do princípio do co-branding: duas marcas somam forças para
criar produtos ou narrativas que, isoladamente, não alcançariam o mesmo
impacto, explica a FashionNetwork Brasil. O fenômeno não fica restrito à moda:
alimentos, cosméticos, bebidas e até produtos de limpeza têm encontrado nas
parcerias um caminho para dialogar com novos públicos e reforçar relevância
cultural.
As
redes sociais são, nesse contexto, peça central de amplificação. Esse tipo de
parceria consegue ampliar o alcance das marcas de forma orgânica, atingindo
audiências que, isoladamente, dificilmente seriam alcançadas. Exemplos
nacionais não faltam: a colaboração entre a Carmed e a Fini, que uniu nostalgia
e funcionalidade, e a parceria entre a Ypê e a L'Occitane au Brésil, que levou
perfumaria fina para o universo da lavanderia, geraram alto volume de menções
espontâneas no Instagram e no TikTok.
O
apelo emocional dessas parcerias não é por acaso. Um estudo da Orbit Data
Science, citado pelo Diário do Comércio, mostra que 66% do público aprovou as
collabs lançadas em 2024, sendo a nostalgia o principal gatilho de engajamento
positivo, mencionada por 25% dos consumidores, seguida pela curiosidade, com
10,5%. Os resultados financeiros confirmam o potencial comercial da estratégia:
a Cimed faturou R$ 400 milhões com os produtos da linha Carmed em 2023, alta de
1.566% em relação ao ano anterior, segundo dados compilados pela Consumidor Moderno.
Para
Ricardo Leão, CEO da agência MAK, em depoimento reproduzido pela Mundo do Marketing, essas uniões criam laços emocionais que transformam o consumo em
experiências memoráveis. A observação resume o cerne da transformação: a
collab deixou de ser apenas uma estratégia promocional pontual e passou a
funcionar como narrativa compartilhada, na qual o consumidor não compra somente
um produto, mas adere a um repertório cultural que combina os valores de duas
marcas ao mesmo tempo — repertório que só ganha escala real quando amplificado
pelas redes sociais.
Os
Desafios: Entre a Oportunidade e o Risco
A
mesma velocidade e alcance que tornam as redes sociais tão poderosas para as
marcas também criam vulnerabilidades. Escândalos virais, crises de relações
públicas e o fenômeno do "cancelamento" — quando um público
organizado decide boicotar uma empresa ou pessoa pública em função de
posicionamentos considerados inadequados — tornaram-se riscos permanentes para
qualquer organização com presença digital.
Pesquisa
da DoubleVerify,
divulgada pela Central do Varejo, revela que 86% dos profissionais
de marketing que anunciam em redes sociais no Brasil têm preocupações com o
contexto em que seus anúncios aparecem — índice bem acima da média
global de 65%. Essa ansiedade é especialmente intensa em setores regulados,
como saúde, finanças e farmacêutico.
O
gerenciamento de crise nas redes sociais transformou-se, assim, em uma
competência essencial. Marcas que desenvolvem protocolos claros de resposta,
que monitoram menções em tempo real e que têm lideranças capazes de
comunicar-se com autenticidade em momentos difíceis saem fortalecidas das
turbulências digitais. As que ignoram a velocidade das redes ou reagem de forma
arrogante ou defensiva, por outro lado, pagam preços altíssimos em reputação.
"As marcas que se destacam são aquelas que
entendem o comportamento do público, medem resultados em tempo real e ajustam
suas ações rapidamente." — Publya, 2025
As
redes sociais não são apenas um canal de marketing. São o espaço onde marcas
ganham ou perdem a confiança de milhões de pessoas, onde reputações são
construídas a longo prazo e destruídas em minutos. Entender essa dinâmica, com
suas oportunidades e seus riscos, é tarefa essencial para qualquer profissional
de comunicação no século XXI.
Referências
- DATAREPORTAL; WE ARE SOCIAL; MELTWATER. Digital 2025: Brazil. Janeiro de 2025. Disponível em: https://datareportal.com/reports/digital-2025-brazil.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- DOUBLEVERIFY. Global Insights 2025:
Como consumidores e profissionais de marketing usam os walled gardens.
2025. Reportado por Central do Varejo. Disponível em: https://centraldovarejo.com.br.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- GS1 BRASIL. Social Commerce: como redes
sociais se tornaram shoppings digitais? Abril 2025. Disponível em: https://noticias.gs1br.org.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- GOODDS. Social Commerce em 2025: Como
Dominar Vendas no Mercado Livre, Shopee e Redes Sociais. Junho 2025.
Disponível em: https://www.bloggoodds.com.br. Acesso em: 26 mai. 2026.
- HOOTSUITE. Social Media Trends 2025.
2025. Disponível em: https://www.hootsuite.com.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- MUNDO DO MARKETING. Black Friday 2025
consolida social commerce e muda dinâmica das vendas. Novembro 2025.
Disponível em: https://mundodomarketing.com.br.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- OPINION BOX. Pesquisa de Redes Sociais
2024. 2024. Citado por RD Station. Disponível em: https://www.rdstation.com.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- PUBLYA. Dados sobre Redes Sociais no
Brasil em 2025. Novembro 2025. Disponível em: https://publya.com.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- PUBLYA. Comportamento do Consumidor
Brasileiro no Digital em 2025. Agosto 2025. Disponível em: https://publya.com.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- ROI & INFLUÊNCIA. Pesquisa ROI
& Influência 2025. 2025. Citado por Negócios SC. Disponível em: https://www.negociossc.com.br.
Acesso em: 26 mai. 2026.
- DIÁRIO DO COMÉRCIO. Marcas adotam collabs como estratégia para atrair novos públicos consumidores. Junho 2025. Disponível em: https://diariodocomercio.com.br. Acesso em: 16 jun. 2026.
- FORBES BRASIL. Como Collabs de Lifestyle Têm Redefinido a Relação entre Marca e Consumidor. Abril 2026. Disponível em: https://forbes.com.br. Acesso em: 16 jun. 2026.
Termo de Uso de
Inteligência Artificial
Este artigo foi produzido com o apoio da
ferramenta de Inteligência Artificial Generativa Claude (Anthropic, modelo
Claude Sonnet 4, 2025), utilizada como assistente na estruturação do texto,
busca e sistematização de dados de pesquisa e revisão de coerência
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