terça-feira, 19 de maio de 2026

Você está no controle, ou as redes sociais estão no controle de você?

Você está no controle, ou as redes sociais estão no controle de você?

Autora: Liandra Margarete Ferreira  
Disciplina: EGC5020 - Redes Sociais e Virtuais
Data: Maio de 2026




MISHRA, Sanket. Uso de redes sociais. [Fotografia]. [s.d.]. Disponível em: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/uma-pessoa-deitada-na-cama-segurando-um-telefone-celular-R7aBdi5OHtA. 
Acesso em: maio 2026.

Você abre o Instagram "por um segundo" e, quando percebe, já se passaram 47 minutos. Soa familiar? Não é acidente, é engenharia. As redes sociais foram projetadas para isso.
Segundo o relatório Data Report 2024, da We Are Social e Meltwater, os brasileiros passam, em média, 3 horas e 37 minutos por dia exclusivamente em redes sociais, e o país figura entre os maiores consumidores de plataformas digitais do mundo, com cerca de 144 milhões de usuários ativos (WE ARE SOCIAL; MELTWATER, 2024). Em um ano, esse tempo equivale a mais de 55 dias inteiros de vida. Dias que poderiam ser de foco, criação, descanso real ou conexão genuína.

Por que é tão difícil parar?

A resposta está no nosso cérebro. As redes sociais exploram o mesmo mecanismo de recompensa dos jogos de azar: a dopamina. Cada curtida, cada comentário novo, cada notificação é uma pequena dose de prazer imprevisível , e é exatamente essa imprevisibilidade que cria o comportamento compulsivo.

O documentário O Dilema das Redes (The Social Dilemma, Netflix, 2020), que reúne ex-engenheiros e designers de empresas como Google, Facebook e Twitter, escancarou esse mecanismo ao mundo. Tristan Harris, ex-designer do Google e um dos entrevistados, cunhou o termo "economia da atenção": sua atenção é o produto vendido para anunciantes. Quanto mais tempo você passa nas plataformas, mais valioso você se torna, para elas, não para você.

🎬 Assista ao documentário: O Dilema das Redes — Netflix


Os números que o Brasil não pode ignorar

Os dados brasileiros são alarmantes. O Panorama da Saúde Mental 2024, realizado pelo Instituto Cactus com 3.266 brasileiros acima de 16 anos, constatou que o uso excessivo de redes sociais está associado a 45% dos casos de ansiedade em jovens no país (INSTITUTO CACTUS, 2024).

Outro levantamento, publicado na Revista Foco (2024), revelou que:

  • 70% dos participantes relataram angústia emocional após uso prolongado de redes sociais, principalmente por comparação com outros usuários;
  • 65% mencionaram problemas com o sono, afirmando usar redes sociais até tarde da noite (MATOS; GODINHO, 2024).

Esses dados dialogam com o que a Fiocruz aponta em seu portal de saúde: o uso excessivo das redes sociais guarda relação direta tanto com ansiedade quanto com depressão, criando uma retroalimentação perigosa, quem já sofre com transtornos mentais tende a usar mais as plataformas, e o uso excessivo agrava ainda mais esses transtornos (FIOCRUZ, 2025).


E a produtividade? O que a ciência diz

O impacto nas rotinas de trabalho e estudo é igualmente preocupante. De acordo com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, o uso de redes sociais sem fins profissionais durante o horário de trabalho compromete prazos, prejudica a reputação do colaborador e afeta diretamente os resultados das empresas (MACKENZIE, 2024).

O problema tem raiz neurológica: nosso cérebro não foi feito para multitasking real. Cada vez que interrompemos uma tarefa para checar o feed, precisamos de tempo para retomar o mesmo nível de foco, e esse tempo some sem que percebamos, acumulando um prejuízo invisível ao longo do dia.

A CNN Brasil reforça esse cenário ao citar a pesquisa Consumer Pulse, da Bain & Company, que identificou que a hiperconexão já começa a causar desconforto entre os próprios brasileiros, com um crescente desejo por equilíbrio e uma relação mais saudável com a tecnologia (CNN BRASIL, 2025).


Isso é vício de verdade?

A discussão sobre se o uso compulsivo de redes sociais constitui um "vício" clínico ainda é debatida entre especialistas. O que não se discute é que os sintomas são reais: irritação quando privado do celular, dificuldade de resistir ao impulso de checar o feed e prejuízos concretos na vida cotidiana.

Pesquisadores da University College London (UCL), citados pela CNN Brasil, mostraram que adolescentes com dependência de internet apresentam alterações cerebrais que podem levar a mudanças de comportamento e aumento nas tendências de dependência (CNN BRASIL, 2024).

No Brasil, a Revista Foco publicou em 2024 uma revisão sistemática de literatura analisando o impacto do uso excessivo de redes sociais na saúde mental de jovens brasileiros, e os resultados apontam para uma correlação preocupante com ansiedade, depressão e distúrbios do sono (NORONHA et al., 2024).


O que podemos fazer?

A boa notícia: pequenas mudanças têm impacto real. Não se trata de deletar tudo e sumir do mundo digital, mas de recolocar você no controle da sua própria atenção. A própria Mackenzie sugere medidas práticas (2024):

1. Desative notificações sempre que possível e verifique as redes em horários definidos, não continuamente.

2. Crie blocos de foco, períodos sem celular durante o trabalho ou os estudos, usando técnicas como o método Pomodoro (25 minutos de foco, pausa de 5 minutos).

3. Monitore seu uso, ferramentas como o Screen Time (iOS) e o Digital Wellbeing (Android) mostram exatamente quanto tempo você gasta em cada aplicativo. O simples ato de ver os números já muda o comportamento.

4. Substitua o scroll passivo por consumo intencional, siga perfis que agregam, mute o que drena, e entre nas plataformas com um objetivo claro.


As redes sociais não são inimigas. Conectam pessoas, democratizam informação e criam oportunidades reais. O problema não é usá-las, é ser usado por elas. A diferença entre os dois está na consciência.

Da próxima vez que você abrir o Instagram no automático, vale perguntar: fui eu que quis abrir, ou foi o hábito? Essa pergunta, pequena como parece, pode mudar sua relação com a tecnologia, e recuperar horas que são completamente suas.


Referências

CNN BRASIL. Brasileiros que passam mais tempo nas redes sociais são os que têm ansiedade. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-que-passam-mais-tempo-nas-redes-sociais-sao-os-que-tem-ansiedade/. Acesso em: maio 2026.

CNN BRASIL. Mais de 9h online por dia: hiperconexão preocupa brasileiros, diz estudo. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/mais-de-9h-online-por-dia-hiperconexao-preocupa-brasileiros-diz-estudo/. Acesso em: maio 2026.

FIOCRUZ. Refletindo sobre a saúde mental e o uso excessivo de redes sociais. Instituto Benjamin Constant, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/ibc/pt-br/assuntos/noticias/refletindo-sobre-a-saude-mental-e-o-uso-excessivo-de-redes-sociais. Acesso em: maio 2026.

INSTITUTO CACTUS. Panorama da Saúde Mental 2024. São Paulo, 2024.

MACKENZIE, Universidade Presbiteriana. Impactos do excesso do uso das redes sociais na saúde mental e na produtividade. 2024. Disponível em: https://www.mackenzie.br/memorias/150-anos/acontece/arquivo/n/a/i/impactos-do-excesso-do-uso-das-redes-sociais-na-saude-mental-e-na-produtividade. Acesso em: maio 2026.

MATOS, K. A.; GODINHO, M. O. D. A influência do uso excessivo das redes sociais na saúde mental de adolescentes: uma revisão integrativa. Revista Foco, 2024.

NORONHA, J. F. M. et al. Avaliando o impacto do uso excessivo das redes sociais na saúde mental dos jovens no Brasil: revisão sistemática da literatura. Revista Foco, v. 17, n. 11, e6278, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n11-099. Acesso em: maio 2026.

THE SOCIAL DILEMMA. Direção: Jeff Orlowski. Netflix, 2020. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/81254224.

WE ARE SOCIAL; MELTWATER. Data Report 2024 Brasil. 2024. Disponível em: https://wearesocial.com/br/blog/2024/01/digital-2024/. Acesso em: maio 2026.

MISHRA, Sanket. Uma pessoa deitada na cama segurando um telefone celular. [Fotografia]. [s.d.]. Disponível em: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/uma-pessoa-deitada-na-cama-segurando-um-telefone-celular-R7aBdi5OHtA. Acesso em: maio 2026.


Termo de Uso de Inteligência Artificial

Eu, Liandra, declaro que o presente artigo foi elaborado com o auxílio da ferramenta de Inteligência Artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic (disponível em: https://claude.ai), utilizada exclusivamente como suporte na organização de ideias, estruturação do texto e revisão da escrita.

A utilização da ferramenta ocorreu da seguinte forma:

  • Ferramenta utilizada: Claude (Anthropic) — versão Sonnet 4.6
  • Finalidade: Apoio na redação, organização estrutural e sugestão de fontes para o artigo
  • Data de uso: Maio de 2026

Uso da Inteligêcia Artificial para planejamento de aulas de matemática

    COMO O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE AJUDAR OS PROFESSORES DE MATEMÁTICA A TORNAREM SUAS AULAS MAIS DINÂMICAS E ATRATIVAS

Por Tainara Markus

Imagem retirada de Revista Ensino Superior (2024)


    Muitas vezes, planejar uma aula se torna uma tarefa difícil, a depender do conteúdo a ser trabalhado, da turma, das condições físicas da escola, dentre outros diversos fatores que um professor deve levar em consideração durante seu planejamento. Desta forma, é importante que professores adotem novas maneiras de planejamento, para que o processo se torne prazeroso, tanto durante o planejamento, quanto na execução do mesmo.


    Inclusive, uma das habilidades mencionadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é:

    

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BRASIL, 2018, p.9).

 

     De acordo com o artigo Explorando a Utilização da IA no planejamento de aulas de matemática, Quadros e Meneghetti (2025) afirmam que

Recursos digitais fornecem aos professores a possibilidade de elaborar materiais de ensino visualmente atrativos e altamente interativos, adaptados de forma precisa às necessidades e interesses individuais de seus alunos. Ao fazer uso desses aplicativos, os educadores podem proporcionar uma experiência de aprendizagem mais envolvente e eficaz, aproveitando ao máximo o potencial das tecnologias disponíveis na atualidade.

 
Imagem retirada de Plano de aula com IA: como ter coerência pedagógica?


    Mas apesar da utilização da IA na produção do material, o professor continua desenvolvendo a principal função, que é revisar, adaptar e levar o contúdo até a sala de aula, tendo em vista que, quem tem o contato diário e conhece a realidade em que a turma está inserida é o professor. 
Imagem retirada de Os erros comuns ao usar IA para estudar


    De acordo com TEIXEIRA (2024) em sua discertação Aplicação de IA no processo de ensino aprendizagem – experimento em aulas de matemática um dos pontos negativos da IA é apresentado da seguinte forma:

"as ferramentas de pesquisa alimentadas por IA geram textos com base em seus bancos de dados. Elas são treinadas para produzir respostas plausíveis, reunindo elementos frequentemente citados por diversas fontes. No entanto, nem sempre essas informações são verídicas, o que pode contribuir para a disseminação de desinformção e notícias falsas."

 

    Dito isso, é importante enfatizar que todo planejamento feito por uma IA deve ser revisado com cautela e adaptado caso se faça necessário. Assim como Silva, Santana e Santana (2024) comentam em CHATGPT COMO RECURSO AUXILIAR NA ELABORAÇÃO DE AULAS DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA sobre os cuidados ao utilizar o ChatGPT para criação de plano de aula:

"é importante ressaltar que as informações geradas pelo ChatGPT não estão sempre corretas. Já se discute na comunidade acadêmica o conceito de “artificial hallucinations” (ALKAISSI; MCFARLANE, 2023), que se refere a uma possível limitação dos sistemas de geração de texto por IA, que podem gerar respostas aparentemente coerentes e corretas, mas que na verdade são formados por um “amálgama” de textos verdadeiros e fabricados, criando respostas incorretas ou enganosas, as tais “alucinações artificiais”. Por isso é essencial que se avalie criticamente as respostas produzidas por esses sistemas (SANT’ANA; SANT’ANA; SANT’ANA, 2023)."

 

    Desta forma, a partir dos conhecimentos corretos e cuidados a serem tomados, conseguimos aos poucos, de uma maneira menos desgastante, tentar tornar o ensino e a apredizagem de matemática mais satisfatória. Tendo em vista que, essas ferramentas podem ajudar a tornar a matemática mais visual e menos abstrata, considerando que essa é uma das principais dificuldades dos estudantes, conseguir interpretar a abstração dos conteúdos matemáticos e dos professores ao tentar fazer os estudandes compreender. Assim como confirma Evangelista et al. (2025) em seu artigo Impactos da incorporação da Inteligência Artificial no ensino de Matemática

As  tecnologias digitais  vêm  proporcionando  novas  formas  de  visualizar,  entender  e  interagir com conceitos matemáticos. O uso dessa ferramenta no ensino de Matemática deve ser   compreendido como uma   maneira   de   ampliar e enriquecer   as   práticas pedagógicas,  destacando  a  exploração  de  múltiplas representações,  como  tabelas, gráficos,   imagens,   entre   outros   elementos   da   interface, proporcionando   uma experiência  de  aprendizagem  mais  dinâmica  e  interativa,  conforme  dispõe Castro(2016).


    Além disso, Evangelista et al. (2025) afirma que segundo (Mattos, 2022)

A IA pode oferecer também, no ensino de Matemática, a tutoria inteligente, que se refere a um sistema avançado de ensino em que são projetados para fornecer instrução personalizada e adaptativa aos estudantes. Os sistemas de tutoria inteligente podem adaptar o conteúdo e o ritmo de ensino com base nas respostas e no progresso dos estudantes, proporcionando um ambiente de aprendizagem mais competente e personalizado. Esses sistemas utilizam algoritmos para identificar áreas de dificuldade e fornecer informações, que podem aumentar significativamente a motivação e o engajamento dos estudantes.

 

    Desta forma, podemos concluir que o uso de IA na educação de matemática, se utilizada de maneira correta, pode trazer muitos beneficios tanto para os alunos, na personalização de seus estudos e onde deve ter maior foco, quanto para os professores no planejamento de aulas mais atrativas. 

Imagem retirada de Matemática e Inteligência Artificial


REFERÊNCIAS:

QUADROS, Samanta Medina de; MENEGHETTI, Cinthya Maria Schneider. Explorando a utilização de IA no planejamento de aulas de Matemática. Educação Matemática em Revista - Rs, [S.L.], v. 1, n. 26, p. 1-21, 18 abr. 2025. Sociedade Brasileira de Educacao Matematica. http://dx.doi.org/10.37001/emr-rs-v.1-n.26-2025.4510. 

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf


SILVA, Felipe Queiroz da; SANT'ANA, Irani Parolin; SANT'ANA, Claudinei de Camargo. O CHATGPT COMO RECURSO AUXILIAR NA ELABORAÇÃO DE AULAS DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA. Ensino de Ciências e Tecnologia em Revista – Encitec, [S.L.], v. 14, n. 3, p. 301-314, 16 dez. 2024. Universidade Regional Integrada do Alto U​ruguai e das Missoes. http://dx.doi.org/10.31512/encitec.v14i3.1897.  


TEIXEIRA, Jhonatan Cruz. Aplicação de IA no processo de ensino aprendizagem – experimento em aulas de matemática. 2024. 68 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Matemática) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2024. 


EVANGELISTA, Anne Heloísa Alves; MOTA, Janine Freitas; LOPES, Rieuse; OLIVEIRA, Saulo Macedo de. Impactos da incorporação da Inteligência Artificial no ensino de Matemática: um Estado do Conhecimento. Educitec - Revista de Estudos e Pesquisas sobre Ensino Tecnológico, Manaus, Brasil, v. 11, n. jan./dez., p. e265425, 2025. DOI: 10.31417/educitec.v11.2654. Disponível em: https://sistemascmc.ifam.edu.br/educitec/index.php/educitec/article/view/2654. Acesso em: 19 maio. 2026.












segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que aparece no seu feed não é por acaso

Por Eduardo Ristow Wodzinsky

Você já abriu o Instagram ou o TikTok só para dar uma olhada rápida e quando percebeu, já tinha passado quase uma hora ali dentro? Isso não é coincidência, o que aparece no seu feed não é aleatório e nem uma sequência de posts de quem você segue. Existe um sistema por trás disso tudo que aprende com o seu comportamento e decide a cada segundo o que você vai ver, esse sistema é o algoritmo.

De forma simples, um algoritmo funciona como uma espécie de receita usada pelas redes sociais para organizar o conteúdo, ele observa tudo o que você faz dentro da plataforma, quais vídeos você assiste até o final, quais você pula, o que você curte, comenta ou compartilha. Assim, ele começa a montar um perfil do seu comportamento, é como se a rede social estivesse tentando te entender melhor do que você mesmo, antecipando aquilo que pode chamar sua atenção.

Na prática, isso mostra que cada pessoa tem um feed completamente diferente, mesmo usando o mesmo aplicativo, enquanto um usuário recebe vídeos de humor, o outro pode ver conteúdos sobre estudo, investimentos ou esportes. Essa personalização faz com que o consumo do conteúdo pareça mais interessante e relevante, o que aumenta o tempo que as pessoas passam usando o aplicativo. Quanto mais tempo você fica, mais o algoritmo aprende sobre você, equanto mais ele aprende, mais certeiro ele fica nas recomendações.

Esse funcionamento traz alguns pontos importantes, uma delas é a chamada bolha de conteúdo, como o algoritmo tende a mostrar apenas aquilo que você já demonstrou interesse, você acaba consumindo sempre ideias parecidas. Isso pode limitar o contato com opiniões diferentes e reforçar visões já existentes. Em alguns casos isso contribui para a polarização, já que o indivíduo passa a ver apenas um lado da história.

Outro ponto relevante é o tempo excessivo nas redes sociais, como o conteúdo é selecionado para prender sua atenção, é fácil perder a noção do tempo. Pequenos vídeos ou recomendações contínuas criam um ambiente pensado para manter o usuário engajado. Não é por acaso que muitas pessoas sintam dificuldade em parar de rolar o feed, isso acontece porque o algoritmo aprende exatamente o tipo de conteúdo que mais prende você, criando um ciclo difícil de interromper.

Além disso, os algoritmos também influenciam o que consumimos, pensamos e até compramos. Produtos, ideias e tendências podem ganhar destaque não necessariamente por sua qualidade, mas porque geram mais engajamento. Isso afeta diretamente o comportamento das pessoas, desde pequenas decisões do dia a dia até opiniões mais complexas. Assim, as redes sociais deixam de ser apenas espaços de interação e passam a atuar como grandes filtros de informação.

Outro aspecto importante é a questão da transparência, maioria das plataformas não explica claramente como seus algoritmos funcionam, o usuário, não sabe por que determinado conteúdo apareceu ou por que outros desapareceram do seu feed. Isso torna o processo invisível e dificulta a percepção de que existe uma curadoria acontecendo o tempo todo, é como se alguém estivesse escolhendo o que você vê, mas sem que você perceba essa escolha.

Por fim, a grande questão é até que ponto escolhemos o que vemos? Embora pareça que temos controle sobre o conteúdo consumido, muitas decisões já estão sendo feitas antes mesmo de abrirmos o aplicativo. Entender como os algoritmos funcionam é um passo importante para usar as redes sociais de forma mais consciente, evitando cair em padrões automáticos sem perceber e buscando, sempre que possível, diversificar as fontes de informação 

REFERÊNCIAS

BBC NEWS BRASIL. Como funcionam os algoritmos das redes sociais. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-54550933. Acesso em: 14 maio 2026.

G1. Entenda como funcionam os algoritmos das redes sociais. Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/05/10/como-funcionam-algoritmos-redes-sociais.ghtml. Acesso em: 14 maio 2026.


Como as Redes Sociais Estão Sabotando a Saúde Do Seu Sono

Por David Abrantes Gusmão

Você já prometeu a si mesmo que iria rolar o feed por apenas mais cinco minutinhos antes de dormir e, quando se deu conta, haviam se passado horas?

Em uma era hiperconectada, o ato de levar o smartphone para a cama tornou-se um ritual. No entanto, o que parece ser apenas um hábito inofensivo, pode estar, na verdade, travando uma batalha invisível contra a nossa evolução.

Pesquisas globais sobre o sono alertam para uma crise de saúde pública: estamos dormindo menos e pior. Mas o impacto das redes no nosso descanso vai além do tempo perdido. Ela interage com nossos neurotransmissores, confundindo nosso relógio biológico e chega até a alterar a forma como nossos genes se expressam, num campo conhecido como epigenética.


1 O PAPEL DA DOPAMINA


Plataformas modernas não são apenas murais de fotos, são engenhosamente desenhadas a partir de princípios da nossa psicologia, despertando gatilhos no nosso sistema de recompensa.

A dopamina, muitas vezes (de forma simplista) chamada de hormônio do prazer, na verdade é um neurotransmissor da busca e antecipação. Dessa forma, o algoritmo das redes fornece recompensas variáveis, como um caça-níquel, onde você nunca sabe se o próximo vídeo será incrivelmente engraçado ou sem graça. Essa incerteza mantém o cérebro em constante busca, um estado totalmente inverso ao relaxamento necessário para a transição para o sono. Em vez de desacelerar, o cérebro está acelerado, processando uma enxurrada de estímulos.


Figura 1 - Um gato laranja busca mais dopamina em seu smartphone antes de dormir, sobre lençóis de cetim e cobertores. O dispositivo, com sua luz azul e fluxo incessante de conteúdo, simboliza a luta noturna contra os nossos ritmos biológicos, descrita no texto. Fonte: Google Imagens.


2 LUZ AZUL E BIOQUÍMICA DO SONO


Nossos corpos evoluíram em um planeta com um ciclo claro e escuro, chamado ciclo circadiano, regulado por uma pequena região do cérebro chamada núcleo supraquiasmático. Após o pôr do sol, nosso corpo entende que é hora de iniciar a cascata química do sono.

O principal hormônio dessa cascata é a melatonina, produzida na glândula pineal a partir da serotonina. 


Figura 2 - O caminho neural do ciclo circadiano. A ilustração detalha a comunicação entre os olhos e o cérebro, mostrando como o estímulo luminoso inibe o trabalho da Glândula Pineal na produção do hormônio do sono. Fonte: The inner clock—Blue light sets the human rhythm. https://doi.org/10.1002/jbio.201900102.


O problema é que as telas dos nossos dispositivos emitem uma grande quantidade de luz azul. Essa frequência de luz específica atinge fotorreceptores nos nossos olhos (células ganglionares da retina) e envia uma mensagem direta ao cérebro: "Ainda é meio-dia, parem a produção de melatonina".

Dessa forma, sem a conversão adequada da serotonina em melatonina devido à exposição luminosa artificial, o corpo permanece bioquimicamente desperto, resultando em insônia, sono fragmentado e dificuldade de atingir as fases mais profundas e restauradoras do descanso, como o sono REM. 



3 EPIGENÉTICA


A partir de agora a ciência se torna mais profunda. A maioria das pessoas entende que não dormir faz mal, mas poucas compreendem que a privação crônica de sono induzida pelas redes sociais pode alterar o funcionamento do nosso DNA.

A genética seria o manual de instruções com o qual nascemos, já a epigenética determina quais páginas desse manual serão lidas, dependendo de qual estímulo ambiental temos ao decorrer da vida.

O nosso estilo de vida, incluindo o que comemos, nossos níveis de estresse e, criticamente, nosso padrão de sono, age como um estímulo ambiental, alterando a forma como certos genes serão expressos, através de mecanismos como a metilação do DNA.

Estudos recentes na área de cronobiologia epigenética têm demonstrado que a privação de sono pode alterar os marcadores epigenéticos em tecidos periféricos e no sistema nervoso em questão de dias. Quando trocamos o sono pelo scroll noturno, provocamos uma resposta de estresse no organismo. Com o tempo, essas alterações epigenéticas podem silenciar genes responsáveis por respostas imunológicas e ativar genes ligados à inflamação sistêmica.

Dessa forma, o mau hábito contínuo nas redes sociais sinaliza para as suas células que o seu corpo está sob constante ameaça ambiental. Essa mudança de expressão gênica a longo prazo está associada a um risco maior de desenvolver distúrbios metabólicos, declínio cognitivo e até mesmo ansiedade crônica. O ambiente digital se traduz, literalmente, em mudanças biológicas físicas. 


4 REGULANDO A NOITE


A solução não exige, necessariamente, que abandonemos a internet e voltemos a viver em cavernas iluminadas por tochas. A palavra-chave é higiene do sono e moderação consciente.

Especialistas da Fundação Nacional do Sono recomendam estabelecer um "toque de recolher digital" cerca de uma a duas horas antes de deitar. Substituir o tempo de tela por atividades de baixa estimulação, como a leitura de um livro físico, alongamentos leves ou ouvir música relaxante, permite que os níveis de dopamina se estabilizem e que a conversão de serotonina em melatonina ocorra de forma ininterrupta, garantindo que nossos ritmos biológicos e marcas epigenéticas permaneçam saudáveis.


Declaração de Uso de Inteligência Artificial

Em conformidade com as diretrizes de transparência e originalidade, declaro que a revisão gramatical e curadoria de conexões interdisciplinares (Biologia, Epigenética e Psicologia Comportamental) deste texto foram apoiadas pelo modelo de Inteligência Artificial generativa Gemini. O conteúdo final, o delineamento argumentativo e a responsabilidade pelas informações biológicas aqui consolidadas são de autoria humana, tendo a IA atuado como ferramenta auxiliar na formatação do gênero jornalístico e no enquadramento didático para o público leigo.

Referências Bibliográficas


BORBÉLY, A. A. et al. The two-process model of sleep regulation: a reappraisal. Journal of Sleep Research, [s. l.], v. 25, n. 2, p. 131-143, 2016. DOI: 10.1111/jsr.12371. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jsr.12371. Acesso em: 15 maio 2026.


EYECARE HEALTH. Como a luz do celular afeta o sono? Entenda!. Blog Eyecare Health, 13 nov. 2025. Disponível em: https://blog.eyecarehealth.com.br/como-a-luz-do-celular-afeta-o-sono-entenda/. Acesso em: 15 maio 2026.


SLEEP FOUNDATION. Sleep Hygiene: what it is, why it matters, and how to revamp your habits to get better nightly sleep. Sleep Foundation, [s. l.], 2024. Disponível em: https://www.sleepfoundation.org/sleep-hygiene. Acesso em: 15 maio 2026.


WAHL, S. et al. The inner clock—Blue light sets the human rhythm. Journal of Biophotonics, [s. l.], v. 12, n. 12, e201900102, 2019. PMCID: PMC7065627. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7065627/. Acesso em: 15 maio 2026.


Impacto dos Reels na forma de consumir notícias

 

Nos últimos anos, os vídeos curtos passaram de simples entretenimento para uma das principais formas de consumo de informação na internet. Plataformas como Instagram, TikTok e YouTube Shorts transformaram completamente a maneira como as pessoas acompanham acontecimentos do mundo, desde notícias sobre política e economia até tragédias, guerras, celebridades e acontecimentos cotidianos. Nesse cenário, os Reels ganharam destaque ao oferecer conteúdos rápidos, visuais e altamente personalizados por algoritmos, moldando o comportamento dos usuários e influenciando diretamente a forma como as notícias são consumidas.

O crescimento desse formato acompanha mudanças culturais e tecnológicas no ambiente digital. Segundo o artigo “O TikTok e o consumo de notícias na era da cultura visual”, de Caroline Silva Falcão Guedes, plataformas baseadas em vídeos curtos favorecem conteúdos rápidos, emocionais e visualmente impactantes, criando uma cultura marcada pela fragmentação da informação, pela busca de brevidade e pela viralização de conteúdos. Os Reels utilizam sistemas avançados de recomendação, através dos algoritmos, capazes de identificar interesses, emoções e padrões de comportamento dos usuários e a partir disso, o aplicativo passa a entregar conteúdos cada vez mais alinhados ao perfil da pessoa, mantendo-a conectada pelo maior tempo possível.

Esse novo modelo altera profundamente a experiência de consumir notícias. Diferentemente dos jornais tradicionais, que exigiam mais tempo de leitura e reflexão, os Reels entregam conteúdos resumidos em poucos segundos. Muitas vezes, um acontecimento complexo é reduzido a frases de efeito, cortes rápidos e músicas virais. Como consequência, o usuário passa a consumir dezenas de informações em poucos minutos, sem aprofundamento ou verificação das fontes. Esse consumismo de forma rápida possui um conceito conhecido no TikTok como snackable content, isto é, notícias como “lanches” informativos. (Guedes, 2022). Essa lógica favorece o imediatismo e reduz o tempo de atenção do usuário, que constantemente pula de um assunto para outro. O impacto disso vai além do jornalismo: influencia também a memória, a concentração e a percepção da realidade.

Essa dinâmica também pode contribuir para a disseminação de fake news e desinformação. Como o objetivo das plataformas é maximizar retenção e compartilhamentos, conteúdos polêmicos, chocantes ou emocionalmente fortes tendem a ter mais alcance, independentemente de serem verdadeiros. Muitas vezes, notícias falsas circulam mais rapidamente do que conteúdos verificados, especialmente quando apresentadas em vídeos curtos e visualmente atrativos.

O próprio ambiente dos comentários demonstra como esse fenômeno afeta os usuários. Em uma discussão publicada no Reddit, intitulada “Os comentários em vídeos curtos estão me fazendo mal”, disponível em: https://www.reddit.com/r/brasil/comments/1s4631z/os_coment%C3%A1rios_em_v%C3%ADdeos_curtos_est%C3%A3o_me_fazendo/?utm_source=chatgpt.com uma pessoa relata sentir-se manipulada e viciada no consumo constante de vídeos rápidos. Nos comentários, diversos usuários afirmam que abandonar ou reduzir o uso dessas plataformas melhoram significativamente a saúde mental, a concentração e a produtividade. Alguns sugerem substituir o consumo de vídeos curtos por conteúdos longos, como documentários, podcasts, vídeos de uma ou duas horas e leituras mais profundas, justamente para “desintoxicar” o cérebro dessa sequência contínua de estímulos rápidos e recompensas instantâneas.

Essa percepção não surge apenas da experiência individual. Diversos estudos já apontam que plataformas digitais utilizam mecanismos de recompensa semelhantes aos observados em processos de dependência comportamental. O consumo contínuo de conteúdos curtos e variados gera estímulos constantes de dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e recompensa. Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas passam horas rolando a tela sem perceber o tempo passar. Além disso, o excesso de informações negativas pode afetar diretamente o estado emocional das pessoas. Hoje, tragédias, guerras, acidentes, crimes e discussões políticas aparecem misturados com vídeos humorísticos e conteúdos leves, tudo na mesma sequência de rolagem. O usuário recebe, em poucos minutos, uma enorme carga emocional e muitas vezes sem tempo para processar criticamente o que viu.

Outro aspecto importante é a influência desses conteúdos sobre o comportamento social. As redes sociais não apenas informam: elas moldam opiniões, hábitos e percepções coletivas. A velocidade da circulação de conteúdos faz com que assuntos viralizem rapidamente e gerem reações em massa, mesmo quando não há contexto suficiente ou confirmação dos fatos. Uma pesquisa divulgada pelo site Imagem Corporativa aponta que “66% concordam que o excesso de tempo na plataforma pode ser prejudicial à saúde mental, e 52% acreditam que a rede social propaga muitas fake News”, disponível no link: https://iccom.com.br/instagram-stories-reels-e-influenciadores-moldam-o-comportamento-do-consumidor/?utm_source=chatgpt.com. Esses dados demonstram que os próprios usuários já percebem os efeitos negativos do consumo excessivo e da dificuldade em distinguir informações verdadeiras de conteúdos manipulados.

Além disso, o crescimento do jornalismo dentro das redes sociais altera o papel dos veículos tradicionais. Conforme destaca a pesquisa “O TikTok e o consumo de notícias na era da cultura visual”, grandes organizações jornalísticas passaram a adaptar suas notícias para formatos mais rápidos, visuais e dinâmicos, buscando competir pela atenção do público jovem. Assim, o jornalismo passa a disputar espaço com influenciadores, memes e conteúdos virais dentro do mesmo ambiente digital. Essa mudança traz benefícios e desafios. Por um lado, os Reels democratizam o acesso à informação e permitem que notícias alcancem milhões de pessoas rapidamente. Por outro, criam um ambiente em que velocidade e engajamento muitas vezes valem mais do que profundidade, contexto e veracidade.

Portanto, o impacto dos Reels na forma de consumir notícias vai além da tecnologia. Trata-se de uma transformação cultural que modifica a atenção, o comportamento, as emoções e até mesmo a maneira como a sociedade interpreta a realidade. Em uma era marcada pela hiperconectividade, torna-se cada vez mais importante desenvolver pensamento crítico, verificar fontes e equilibrar o consumo rápido de conteúdos com informações mais aprofundadas e confiáveis. Também é importante refletir sobre a relação entre entretenimento e informação. Embora os vídeos curtos facilitem o acesso a notícias e aproximem os jovens de temas relevantes, eles podem transformar acontecimentos complexos em conteúdos superficiais, reduzidos à lógica da viralização. Dessa forma, a sociedade enfrenta o desafio de aprender a utilizar as redes sociais como ferramentas de informação sem se tornar dependente do fluxo constante de estímulos e desinformação.

          Durante a preparação deste trabalho, a autora utilizou ferramentas de IAG (ChatGPT e PerplexyIA) no processo de aperfeiçoamento do texto e melhoria da legibidade. Após o uso destas ferramentas, os textos foram revisados, editados e o conteúdo está em conformidade com o método científico. A autora assume total responsabilidade pelo conteúdo da publicação.

 

Referências

 

GUEDES, Caroline Silva Falcão. O TikTok e o consumo de notícias na era da cultura visual. Revista Uninter de Comunicação, Curitiba, v. 13, n. 22, p. 44–62, 2025. Disponível em: Artigo Revista Uninter. Acesso em: 13 maio 2026.

IMAGEM CORPORATIVA. Instagram, Stories, Reels e influenciadores moldam o comportamento do consumidor. Disponível em: Imagem Corporativa - comportamento do consumidor. Acesso em: 13 maio 2026.

REDDIT. Os comentários em vídeos curtos estão me fazendo mal. Disponível em: Discussão Reddit sobre vídeos curtos. Acesso em: 13 maio 2026.

 

Propagandas Enganosas de Saúde nas Redes Sociais: O que são, como são propagadas, o que tem sido feito e o que pode ser feito

   Por Amanda Fullgraf Petry 

    A crescente de propagandas de medicamentos “milagrosos” vem da evolução tecnológica e sofisticação desses golpes que alteraram radicalmente a sua natureza e forma de propagação. Contribuem para isso os avanços na inteligência artificial, que facilitam a manipulação audiovisual; a microssegmentação algorítmica, que facilita o alcance desses tipos de anúncios a pessoas mais suscetíveis, como idosos e indivíduos com doenças crônicas; ou até mesmo em qual rede social os anúncios são enviados, a fim de dificultar o seu rastreio. As propagandas enganosas referentes à saúde nas redes sociais tornaram-se uma indústria sofisticada e altamente lucrativa, que tem sido chamada de uma “epidemia digital” ou “infodemia”. 

    No contexto mundial, o excesso de informações dificulta o acesso a orientação e dados confiáveis, assim, dando espaço a “informações” tendenciosas e fraudulentas. Em documentos disponibilizados pela Meta, é estimado que os seus usuários sejam expostos a cerca de 15 bilhões de golpes por dia, ao redor do globo, totalizando 10% da receita da empresa em 2024 (16 bilhões de dólares). O Brasil é estimado como sendo um dos países que mais é afetado pelas propagandas enganosas e a desinformação sobre saúde no mundo, apresentando grande volume de anúncios ilícitos, sendo coletados cerca de 170 mil anúncios entre abril e maio de 2025, onde 76% da amostra analisada se tratava de propagandas fraudulentas.  Dentre os 165 produtos comercializados, nenhum possuía registro ativo na Anvisa em 2025, embora muitos usassem o nome da agência para simular legitimidade.

    Para a criação desses conteúdos são utilizadas diferentes estratégias a fim de gerar uma falsa legitimidade e autoridade nos anúncios. Aproximadamente 74,8% dos anúncios fraudulentos, avaliados pelo NetLab UFRJ,  se utilizavam de IA e manipulação audiovisual. Dentre elas os Deepfakes, que se utilizam principalmente de figuras públicas para tentar inferir credibilidade dos produtos,  a Figura 1 indica as principais pessoas que tiveram a sua imagem manipulada por esses anúncios fraudulentos. Sendo também observados casos em que esses anunciantes se passam por marcas e veículos de mídia conhecidos pela população, se apropriando de linguagem técnica para parecerem verídicos.

 

Figura 1: Pessoas Públicas com imagem mais utilizada em anúncios fraudulentos, Fonte NetLab UFRJ

    Muitos desses anunciantes se utilizam de promessas milagrosas e com cura rápida, observadas em 99,5% das fraudes, sendo também em 82,7% dos casos como um “tratamento natural” ou  “caseiro”, ou com pesquisas falsas, exageradas e sem fontes verificáveis para sustentar a eficácia do produto em 23,2% dos casos. Muitas vezes associadas a falsas narrativas, inferindo que essa “cura” barata e “altamente eficaz” é um segredo revelado das elites e da indústria farmacêutica, juntamente com o intuito de infundir desconfiança em relação à medicina. A Figura 2 indica essa distribuição entre as estratégias aplicadas nos anúncios.

Figura 2: Estratégias aplicadas nos anúncios fraudulentos, Fonte NetLab UFRJ

    As principais redes utilizadas para o compartilhamento desses tipos de anúncio são as plataformas da Meta e sistemas de mensagens privadas. O Facebook e o Instagram apresentam papéis similares, devido a ferramenta de microssegmentação, que permite que os golpistas atinjam grupos específicos para as suas supostas curas, como idosos ou pessoas com doenças crônicas. Já o YouTube é utilizado principalmente para disseminação de vídeos de tratamentos alternativos para diversas doenças, como câncer e diabetes. No entanto, é estimado que o destino final de 85,7% de anúncios fraudulentos no Brasil é o WhatsApp, sendo utilizado justamente por conta da criptografia, o que dificulta encontrar os golpistas, e o fácil redirecionamento do usuário para o site ou aplicativo de vendas. O Telegram também tem se destacado pelos grupos clandestinos, que chegaram a soma 82 mil usuários, com enfoque na venda de remédios controlados e canetas emagrecedoras sem registro.

    A indústria da desinformação em saúde e as propagandas enganosas de medicamentos nas redes sociais causam impacto em múltiplas instâncias. A exposição a anúncios fraudulentos pode levar a comportamentos de risco, como atrasar a busca de tratamentos realmente eficazes, o que pode pode levar ao agravamento de certas doenças, e ocasionar intoxicações, dado o uso indiscriminado de substâncias sem orientação de especialistas e/ou o uso de medicamentos sem aval de órgãos reguladores. Os principais indivíduos afetados por esse tipo de golpe costumam ser pessoas de baixa renda e idosos, dado principalmente pela menor literacia digital desses indivíduos. Além de afetar as pessoas, acaba por infundir desconfiança na medicina atual e consensos científicos.

    A tendência das propagandas enganosas sobre medicamentos é de crescimento acelerado, que já tem sido observado nos últimos anos. De 2023 a 2024 o número de detecções de desinformação gerada a partir de IA mais do que dobrou em alguns e países, e em 2025 no Brasil foram coletados aproximadamente 170 mil propagandas em apenas um mês. Sendo observado não apenas propagandas frequentes, mas também duradouras, onde foram observados anúncios que circulam ininterruptamente por mais de 3 anos, demonstrando a dificuldade e as falhas atreladas a  moderação de conteúdos nas plataformas. As pesquisas apontam que nos próximos anos esses anúncios fraudulentos vão passar a ser mais aplicados em ambientes com maior criptografia, transformando os anúncios em redes abertas, tais quais o Facebook e Instagram, apenas como um chamativo para os indivíduos levando-os a redes como WhatsApp  e Telegram, a fim de dificultar a ação das autoridades. Tal fato vai ser agravado pela maior exploração e avanço tecnológico da microssegmentação algorítmica e os avanços das inteligências artificiais generativas na criação desses conteúdos, assim tornando mais difícil identificar esses tipos de conteúdos.

    O enfrentamento às propagandas enganosas de medicamentos nas redes sociais envolve uma combinação de medidas regulatórias e judiciais. No Brasil, a fiscalização é feita principalmente por órgãos como a ANVISA, que é o principal regulador das publicidades de medicamentos. Em ações recentes, em março de 2026, a ANVISA, suspendeu a publicidade de duas marcas de canetas emagrecedoras devido justamente pela sua irregularidade na divulgação dos medicamentos. Seguindo a Resolução-RDC nº 96/2008, que proíbe promessas de cura e testemunhos de celebridades para a recomendação de medicamentos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também já atualizou as suas regras de publicidade médica, a fim de exigir a identificação clara do profissional e proibir a propaganda de produtos comerciais por médicos. Já o CONAR (Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária) já dispõe de instrumentos para coibir esses anúncios fraudulentos, apesar de ter sido apontado como lento por diferentes pesquisadores, frente a velocidade das redes sociais virtuais. 

    Em 2025, o STF declarou a inconstitucionalidade parcial do Artigo 19 do Marco Civil da Internet, assim fazendo com que as plataformas digitais possam ser responsabilizadas pelos conteúdos ilícitos de terceiros em suas redes quando não forem adotadas medidas eficazes para prevenir e remover essas fraudes. A Meta, no entanto, afirma estar testando tecnologias de reconhecimento facial e ferramentas de segurança para coibir golpes, além de afirmarem que rejeitam sistematicamente mais de 90% das denúncias feitas pelos seus usuários. Na União Europeia, já foi implementado um Código de Conduta sobre a Desinformação, o DSA (Digital Services Act), que impõe obrigações na transparência e na moderação de conteúdos às grandes empresas.

    Enquanto ainda temos que lidar com esses conteúdos de medicamentos enganosos nas redes, algumas ações podem ser tomadas como indivíduos, como a busca e consulta desses supostos no site da ANVISA, sempre desconfie de curas milagrosas ou mensagens que prometam “resultados garantidos”, curas rápidas ou definitivas para tratamentos crônicos. Ter atenção a quem está divulgando os medicamentos, tendo em vista que médicos são proibidos de fazer propagandas de medicamentos, verificar as fontes utilizadas e ter cuidado com redirecionamentos para outras redes.  


TERMO DE USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Este artigo conta com apoio da ferramenta de Inteligência Artificial NotebookLM para auxílio na estruturação textual, estruturação de ideias e revisão gramatical. Todo o conteúdo e as ideias foram revisados ​​e enviados pelo autor, cabendo à ferramenta apenas a organização em tópicos e a realização de correções gramaticais necessárias.

Referências:

BRUM, Maurício. Anvisa suspende propaganda de remédios para obesidade vendidos pela EMS. Veja Saúde, 4 maio 2026. Disponível em: https://saude.abril.com.br/medicina/anvisa-suspende-propaganda-de-remedios-para-obesidade-vendidos-pela-ems/. Acesso em: 13 maio 2026.

CAZZAMATTA, Regina; SARISAKALOĞLU, Aynur. AI-Generated Misinformation: A Case Study on Emerging Trends in Fact-Checking Practices Across Brazil, Germany, and the United Kingdom. Emerging Media, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 214–251, 2025.

KONG, Linna. What Drives Credibility Judgment Toward Health Disinformation in Deepfake Videos? 2025. 60 f. Projeto de Dissertação (Mestrado em Jornalismo) – University of Missouri-Columbia, Columbia, 2025.

NASCIMENTO, Israel Júnior Borges do et al. Infodemics and health misinformation: a systematic review of reviews. Bulletin of the World Health Organization, [S. l.], v. 100, p. 544–561, 2022.

NETLAB UFRJ. Desinformação pode matar: anúncios com golpes, fraudes e desinformação em saúde nas plataformas da Meta. Rio de Janeiro: NetLab UFRJ, 21 dez. 2025. Disponível em: https://netlab.eco.ufrj.br/post/desinformacao-pode-matar. Acesso em: 13 maio 2026.

PENG, Rachel X.; SHEN, L. Why fall for misinformation? Role of information processing strategies, health consciousness, and overconfidence in health literacy. Journal of Health Psychology, [S. l.], 2024.

PITTROW, Leonard Bernhard Ron Hans Lothar. Medical Misinformation on Social Media: Assessing the Ethical Responsibilities of Healthcare Professionals, Social Media Platforms, and Users in Combating the Spread of False Medical Information. 2025. 54 f. Dissertação (Mestrado Integrado em Medicina) – Vilnius University, Vilnius, 2025.

SANTINI, R. Marie et al. Desinformação pode matar: Anúncios com golpes, fraudes e desinformação em saúde nas plataformas da Meta. Rio de Janeiro: NetLab – Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2025.

SOUZA, Luiz Paulo. Deepfakes estão sendo usadas para vender medicamentos irregulares; veja como não cair em manipulações. VEJA, 21 jan. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/deepfakes-estao-sendo-usadas-para-vender-medicamentos-irregulares-veja-como-nao-cair-em-manipulacoes/. Acesso em: 13 maio 2026.

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TEDESCHI, Vitória. Anúncios de saúde falsos dominam redes sociais e colocam usuários em risco, aponta estudo. Fast Company Brasil, 22 dez. 2025. Disponível em:  

VENDAS, Maria Edite. Venda ilegal de remédios cresce em redes sociais com promessas de emagrecimento e cura rápida. A Crítica de Campo Grande, 7 maio 2026. Disponível em: https://www.acritica.net/editorias/saude/venda-ilegal-de-remedios-cresce-em-redes-sociais-com-promessas/655519/. Acesso em: 13 maio 2026.

WANG, Yuxi et al. Systematic Literature Review on the Spread of Health-related Misinformation on Social Media. Social Science & Medicine, [S. l.], v. 240, 112552, 2019.