Você está no controle, ou as redes sociais estão no controle de você?
Autora: Liandra Margarete Ferreira
Disciplina: EGC5020 - Redes Sociais e Virtuais
Data: Maio de 2026
Você abre o Instagram "por um segundo" e, quando percebe, já se passaram 47 minutos. Soa familiar? Não é acidente, é engenharia. As redes sociais foram projetadas para isso.Segundo o relatório Data Report 2024, da We Are Social e Meltwater, os brasileiros passam, em média, 3 horas e 37 minutos por dia exclusivamente em redes sociais, e o país figura entre os maiores consumidores de plataformas digitais do mundo, com cerca de 144 milhões de usuários ativos (WE ARE SOCIAL; MELTWATER, 2024). Em um ano, esse tempo equivale a mais de 55 dias inteiros de vida. Dias que poderiam ser de foco, criação, descanso real ou conexão genuína.
Por que é tão difícil parar?
A resposta está no nosso cérebro. As redes sociais exploram o mesmo mecanismo de recompensa dos jogos de azar: a dopamina. Cada curtida, cada comentário novo, cada notificação é uma pequena dose de prazer imprevisível , e é exatamente essa imprevisibilidade que cria o comportamento compulsivo.
O documentário O Dilema das Redes (The Social Dilemma, Netflix, 2020), que reúne ex-engenheiros e designers de empresas como Google, Facebook e Twitter, escancarou esse mecanismo ao mundo. Tristan Harris, ex-designer do Google e um dos entrevistados, cunhou o termo "economia da atenção": sua atenção é o produto vendido para anunciantes. Quanto mais tempo você passa nas plataformas, mais valioso você se torna, para elas, não para você.
🎬 Assista ao documentário: O Dilema das Redes — Netflix
Os números que o Brasil não pode ignorar
Os dados brasileiros são alarmantes. O Panorama da Saúde Mental 2024, realizado pelo Instituto Cactus com 3.266 brasileiros acima de 16 anos, constatou que o uso excessivo de redes sociais está associado a 45% dos casos de ansiedade em jovens no país (INSTITUTO CACTUS, 2024).
Outro levantamento, publicado na Revista Foco (2024), revelou que:
- 70% dos participantes relataram angústia emocional após uso prolongado de redes sociais, principalmente por comparação com outros usuários;
- 65% mencionaram problemas com o sono, afirmando usar redes sociais até tarde da noite (MATOS; GODINHO, 2024).
Esses dados dialogam com o que a Fiocruz aponta em seu portal de saúde: o uso excessivo das redes sociais guarda relação direta tanto com ansiedade quanto com depressão, criando uma retroalimentação perigosa, quem já sofre com transtornos mentais tende a usar mais as plataformas, e o uso excessivo agrava ainda mais esses transtornos (FIOCRUZ, 2025).
E a produtividade? O que a ciência diz
O impacto nas rotinas de trabalho e estudo é igualmente preocupante. De acordo com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, o uso de redes sociais sem fins profissionais durante o horário de trabalho compromete prazos, prejudica a reputação do colaborador e afeta diretamente os resultados das empresas (MACKENZIE, 2024).
O problema tem raiz neurológica: nosso cérebro não foi feito para multitasking real. Cada vez que interrompemos uma tarefa para checar o feed, precisamos de tempo para retomar o mesmo nível de foco, e esse tempo some sem que percebamos, acumulando um prejuízo invisível ao longo do dia.
A CNN Brasil reforça esse cenário ao citar a pesquisa Consumer Pulse, da Bain & Company, que identificou que a hiperconexão já começa a causar desconforto entre os próprios brasileiros, com um crescente desejo por equilíbrio e uma relação mais saudável com a tecnologia (CNN BRASIL, 2025).
Isso é vício de verdade?
A discussão sobre se o uso compulsivo de redes sociais constitui um "vício" clínico ainda é debatida entre especialistas. O que não se discute é que os sintomas são reais: irritação quando privado do celular, dificuldade de resistir ao impulso de checar o feed e prejuízos concretos na vida cotidiana.
Pesquisadores da University College London (UCL), citados pela CNN Brasil, mostraram que adolescentes com dependência de internet apresentam alterações cerebrais que podem levar a mudanças de comportamento e aumento nas tendências de dependência (CNN BRASIL, 2024).
No Brasil, a Revista Foco publicou em 2024 uma revisão sistemática de literatura analisando o impacto do uso excessivo de redes sociais na saúde mental de jovens brasileiros, e os resultados apontam para uma correlação preocupante com ansiedade, depressão e distúrbios do sono (NORONHA et al., 2024).
O que podemos fazer?
A boa notícia: pequenas mudanças têm impacto real. Não se trata de deletar tudo e sumir do mundo digital, mas de recolocar você no controle da sua própria atenção. A própria Mackenzie sugere medidas práticas (2024):
1. Desative notificações sempre que possível e verifique as redes em horários definidos, não continuamente.
2. Crie blocos de foco, períodos sem celular durante o trabalho ou os estudos, usando técnicas como o método Pomodoro (25 minutos de foco, pausa de 5 minutos).
3. Monitore seu uso, ferramentas como o Screen Time (iOS) e o Digital Wellbeing (Android) mostram exatamente quanto tempo você gasta em cada aplicativo. O simples ato de ver os números já muda o comportamento.
4. Substitua o scroll passivo por consumo intencional, siga perfis que agregam, mute o que drena, e entre nas plataformas com um objetivo claro.
As redes sociais não são inimigas. Conectam pessoas, democratizam informação e criam oportunidades reais. O problema não é usá-las, é ser usado por elas. A diferença entre os dois está na consciência.
Da próxima vez que você abrir o Instagram no automático, vale perguntar: fui eu que quis abrir, ou foi o hábito? Essa pergunta, pequena como parece, pode mudar sua relação com a tecnologia, e recuperar horas que são completamente suas.
Referências
CNN BRASIL. Brasileiros que passam mais tempo nas redes sociais são os que têm ansiedade. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-que-passam-mais-tempo-nas-redes-sociais-sao-os-que-tem-ansiedade/. Acesso em: maio 2026.
CNN BRASIL. Mais de 9h online por dia: hiperconexão preocupa brasileiros, diz estudo. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/mais-de-9h-online-por-dia-hiperconexao-preocupa-brasileiros-diz-estudo/. Acesso em: maio 2026.
FIOCRUZ. Refletindo sobre a saúde mental e o uso excessivo de redes sociais. Instituto Benjamin Constant, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/ibc/pt-br/assuntos/noticias/refletindo-sobre-a-saude-mental-e-o-uso-excessivo-de-redes-sociais. Acesso em: maio 2026.
INSTITUTO CACTUS. Panorama da Saúde Mental 2024. São Paulo, 2024.
MACKENZIE, Universidade Presbiteriana. Impactos do excesso do uso das redes sociais na saúde mental e na produtividade. 2024. Disponível em: https://www.mackenzie.br/memorias/150-anos/acontece/arquivo/n/a/i/impactos-do-excesso-do-uso-das-redes-sociais-na-saude-mental-e-na-produtividade. Acesso em: maio 2026.
MATOS, K. A.; GODINHO, M. O. D. A influência do uso excessivo das redes sociais na saúde mental de adolescentes: uma revisão integrativa. Revista Foco, 2024.
NORONHA, J. F. M. et al. Avaliando o impacto do uso excessivo das redes sociais na saúde mental dos jovens no Brasil: revisão sistemática da literatura. Revista Foco, v. 17, n. 11, e6278, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n11-099. Acesso em: maio 2026.
THE SOCIAL DILEMMA. Direção: Jeff Orlowski. Netflix, 2020. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/81254224.
WE ARE SOCIAL; MELTWATER. Data Report 2024 Brasil. 2024. Disponível em: https://wearesocial.com/br/blog/2024/01/digital-2024/. Acesso em: maio 2026.
MISHRA, Sanket. Uma pessoa deitada na cama segurando um telefone celular. [Fotografia]. [s.d.]. Disponível em: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/uma-pessoa-deitada-na-cama-segurando-um-telefone-celular-R7aBdi5OHtA. Acesso em: maio 2026.
Termo de Uso de Inteligência Artificial
Eu, Liandra, declaro que o presente artigo foi elaborado com o auxílio da ferramenta de Inteligência Artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic (disponível em: https://claude.ai), utilizada exclusivamente como suporte na organização de ideias, estruturação do texto e revisão da escrita.
A utilização da ferramenta ocorreu da seguinte forma:
- Ferramenta utilizada: Claude (Anthropic) — versão Sonnet 4.6
- Finalidade: Apoio na redação, organização estrutural e sugestão de fontes para o artigo
- Data de uso: Maio de 2026



