terça-feira, 22 de setembro de 2026

Vício em redes sociais: o problema que a maioria prefere não admitir

        Vício em redes sociais: o problema que a maioria prefere não admitir

Por Felipe Godinho, 22 de setembro de 2026   


    O celular vibra, a notificação aparece e, sem nem perceber direito, lá está você abrindo o Instagram pela vigésima vez no dia. Esse comportamento, tão comum que quase ninguém estranha mais, tem nome: vício em redes sociais. E o Brasil está no topo desse ranking. Segundo o Relatório Digital 2025, produzido pela We Are Social em parceria com a Meltwater, o brasileiro passa em média 3 horas e 32 minutos por dia em redes sociais, o maior tempo entre todos os países analisados no levantamento (WE ARE SOCIAL, 2025).


        Um vício sem droga, mas com os mesmos efeitos

    A explicação para esse comportamento não está só na falta de força de vontade. Pesquisas de Stanford e da Harvard Medical School mostram que as redes sociais ativam diretamente os circuitos de dopamina do cérebro, a mesma substância relacionada à sensação de prazer e recompensa, conforme reúne uma matéria da Anahp sobre o tema (ANAHP, 2024). O problema é que essas plataformas foram desenhadas para funcionar como caça níqueis: você nunca sabe se a próxima rolada de tela vai trazer algo interessante ou não, e é justamente essa incerteza que prende a atenção.

    O pediatra Daniel Becker resume o problema de forma direta ao afirmar que o modelo de negócio dessas empresas é gerar vício (BECKER apud ANAHP, 2024). Não é força de expressão. Um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour descobriu que conteúdos emocionalmente intensos têm 70% mais chance de viralizar do que conteúdos neutros, o que empurra o algoritmo a mostrar cada vez mais desse tipo de material (ANAHP, 2024).


        O que as curtidas fazem com o cérebro

    Mitch Prinstein, diretor científico da American Psychological Association, explica que o foco das redes sociais em curtidas quantificadas está associado à ativação das mesmas regiões cerebrais ligadas ao vício em substâncias ilegais, segundo reportagem da CNN Brasil (PRINSTEIN apud CNN BRASIL, 2024). Entre os 10 e os 12 anos, o cérebro passa a receber com mais intensidade sinais de dopamina e oxitocina, o que faz o jovem ansiar cada vez mais por atenção e validação social, e as plataformas exploram exatamente essa fase do desenvolvimento.

    A pesquisadora Carolina Vidal, da Johns Hopkins, complementa que as curtidas funcionam como uma espécie de recompensa social ou até financeira, reforçando o comportamento de voltar a checar o celular repetidas vezes (VIDAL apud CNN BRASIL, 2024).


        Os números da saúde mental

    Os efeitos não ficam só no campo do comportamento. Segundo dados do Datafolha citados pela Anahp (2024), o Brasil registrou um aumento de 2.500% nos diagnósticos de ansiedade entre crianças de 10 a 14 anos no período de 2013 a 2023. Uma pesquisa da American Psychological Association também mostrou que adolescentes que usam redes sociais por mais de três horas por dia têm o dobro do risco de apresentar sintomas de ansiedade e depressão (ANAHP, 2024).

    Um levantamento publicado em 2024 na revista PLOS Mental Health, que analisou 237 adolescentes classificados com dependência de internet, encontrou redução na conectividade da rede de controle executivo do cérebro, região responsável por foco, memória de trabalho e controle de impulsos (ANAHP, 2024).


        Quanto tempo de tela é aceitável

    A Organização Mundial da Saúde e a Academia Americana de Pediatria recomendam no máximo duas horas diárias de tela por lazer para crianças e adolescentes. O Ministério da Saúde brasileiro segue linha parecida, recomendando evitar o acesso a redes sociais antes dos 12 anos e manter algum controle até os 17, de acordo com reportagem da CNN Brasil (CNN BRASIL, 2024).

    Para o psiquiatra Gustavo Yamin Fernandes, do Hospital Samaritano Higienópolis, e para a psiquiatra Paula Gibim, do Hospital Samaritano Barra, algumas medidas simples ajudam a reduzir os danos: supervisionar o conteúdo e o tempo de uso, criar momentos sem celular nas refeições e viagens, incentivar atividades esportivas presenciais e dar o exemplo, já que os adultos também estão longe de ser bons modelos nesse quesito (CNN BRASIL, 2024).


        Reconhecer o problema é só o primeiro passo

    Falar sobre vício em redes sociais não significa demonizar a tecnologia. As plataformas têm utilidade real, conectam pessoas e até geram trabalho e renda para muita gente. O problema está no desenho pensado para prender a atenção pelo máximo de tempo possível, mesmo quando isso custa caro para a saúde mental de quem usa. Talvez o primeiro passo não seja largar o celular de vez, mas prestar atenção em quanto tempo ele está levando da sua vida e perguntar se vale a pena.


Referências

    ANAHP. Por que as redes sociais viciam? Entenda como elas prendem sua atenção e afetam a saúde mental. Disponível em: https://www.anahp.com.br/saude-da-saude/por-que-as-redes-sociais-viciam-entenda-como-elas-prendem-sua-atencao-e-afetam-a-saude-mental/. Acesso em: 22 set. 2026.

    CNN BRASIL. Carência por like está quimicamente relacionada ao vício, alerta especialista. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/carencia-por-like-esta-quimicamente-relacionada-ao-vicio-alerta-especialista/. Acesso em: 22 set. 2026.

    CNN BRASIL. Uso excessivo de redes sociais agrava saúde mental de adolescentes. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/uso-excessivo-de-redes-sociais-agrava-saude-mental-de-adolescentes/. Acesso em: 22 set. 2026.

    WE ARE SOCIAL. Relatório Digital 2025: global overview report. Dados reproduzidos por Brand Publishing. Disponível em: https://brandpublishing.com.br/tempo-medio-online/. Acesso em: 22 set. 2026.


Termo de uso de inteligência artificial

    Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial (Claude, da Anthropic), usada para pesquisa de fontes e organização das informações. A redação final e a revisão do conteúdo foram feitas por Felipe Godinho, autor responsável pelo artigo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário