Por: Alessandro Menezes Cunha
Em uma rolagem rápida pelo feed do Instagram ou pelo For You do TikTok, a sensação de déjà-vu é praticamente inevitável
Na arquitetura do marketing de conteúdo, o topo de funil representa a etapa de atração, aquela voltada para alcançar o maior número de pessoas com temas genéricos, simples e de fácil assimilação
A cultura da superficialidade e a métrica de vaidade
Com a evolução das mecânicas de distribuição digital, nas quais os
Para alimentar esse fluxo ininterrupto, a profundidade nos assuntos foi gradativamente abandonada
O resultado é uma reprodução em cadeia de fórmulas prontas
A estética do conhecimento e o esvaziamento do debate
Outro fator determinante nesse processo é a estética da informação. O conteúdo deixa de ter relevância pelo seu valor e passa a ser avaliado pela sua capacidade de se enquadrar em padrões visuais dinâmicos, com legendas chamativas, ritmo frenético e cortes a cada dois segundos. A forma engoliu o conteúdo.
Essa dinâmica criou uma classe de produtores digitais focados unicamente na replicação de discursos. Pouco importa se o criador domina o assunto sobre o qual fala; o que conta é a sua habilidade de atuar conforme as regras do engajamento. Cria-se, assim, um ciclo vicioso de ilusionismo intelectual, no qual opiniões rasas são propagadas com tom de autoridade acadêmica, confundindo o espectador e empobrecendo o debate público sobre temas decisivos da sociedade.
O impacto no público e no ecossistema digital
Essa epidemia de hiperproliferação de mensagens afeta diretamente o comportamento dos usuários. O
Para os profissionais e criadores que buscam produzir debates aprofundados, o cenário tornou-se altamente desfavorável
A internet, que nasceu como uma promessa de democratização do conhecimento e hiperconexão de saberes, corre o risco de se consolidar como uma grande vitrine de eco, onde todos repetem as mesmas frases para plateias cada vez mais desatentas
Referências
KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 5.0: tecnologia para a humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
SHIRKY, Clay. A cultura da participação: criatividade e generosidade no mundo conectado. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
Declaração de Uso de Inteligência Artificial Generativa
Declaro que a ferramenta de Inteligência Artificial Generativa Gemini (desenvolvida pela Google) foi utilizada durante o processo de produção deste artigo
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