O bullying é uma
prática determinada por violência física e/ou verbal, que persegue,
repetitivamente, um indivíduo. Na concepção de Torres (2009, p. 9), o bullying
causa “[...]dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa
sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender [...]”. O cyberbullying, também conhecido como bullying digital ou bullying virtual não foge à regra: é uma agressão ou um assédio repetitivo a alguém, contudo, ocorre por meio de mídias sociais. Apesar de muitas pessoas acreditarem que, por esse tipo de bullying ocorrer via internet, agressões físicas também não ocorrem e ele passa a ser, portanto, menos danoso que um bullying que ocorra pessoalmente. Esse pensamento é errado, pois as ameaças podem ocorrem arduamente por redes sociais, inclusive ameaças de morte, e podem sim, gerar agressões físicas (BRASIL ESCOLA, 2015).
Um caso recente e amplamente divulgado de cyberbullying ocorreu com a bela atriz Taís Araújo. Em sua FanPage no Facebook, ela postou uma foto nova como capa de perfil, e foi vítima de comentários racistas e inescrupulosos, vindos de perfis distintos.
Fonte: Google Imagens (2015).
Taís Araújo ainda utilizou sua página para desabafar sobre o caso:
É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Na última noite, recebo uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. Eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça. Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu! Por ironia do destino ou não, isso ocorreu no momento em que eu estava no palco do teatro Faap com o “Topo da Montanha”, um texto sobre ninguém menos que Martin Luther King e que fala justamente sobre afeto, tolerância e igualdade. Aproveito pra convidar você, pequeno covarde, a ver e ouvir o que temos a dizer. Acho que você está precisando ouvir algumas coisinhas sobre amor. Agradeço aos milhares que vieram dar apoio, denunciaram comigo esses perfis e mostraram ao mundo que qualquer forma de preconceito é cafona e criminosa. E quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado.A minha única resposta pra isso é o amor!
A situação movimentou inúmeras pessoas que levantaram uma breve campanha entre as redes Twitter, Instagram e Facebook, através da utilização da hashtag "#SomosTodosTaísAraújo" em repúdio a, não só o cyberbullying sofrido pela atriz, como em solidariedade a pessoas que vivenciam isso periodicamente.
Mesmo que não haja uma idade predefinida para as vítimas do cyberbullying, ele é mais constante entre adolescentes, o que conota, também, a preocupação principal das autoridades a respeito da prática criminosa. A fase da adolescência é, por si, uma fase de conflitos mentais e incertezas, geradoras de possíveis transtornos psicológicos, porém momentâneos, entre os jovens. O bullying nessa fase da vida é um fator que predispõe o adolescente a grandes problemas psicológicos. Por conta disso, uma apostila, denominada Apostila para Prevenção do Cyberbullying Dirigida aos Adolescentes foi criada, a fim de alertar e conscientizar os jovens, seus pais e pessoas de convívio a respeito do assunto. A parte mais interessante da apostila revela as ações necessárias quando detectada uma situação de cyberbullying, como, por exemplo, o adolescente revelar a alguém que está sofrendo agressões, pedir ajuda em situações de risco, não reagir às agressões, se afastar das redes sociais que está sofrendo cyberbullying, denunciar as páginas que fornecem assédio e banir totalmente de suas redes sociais as pessoas que não são confiáveis. Um caso de cyberbullying voltado à uma adolescente, que repercutiu fortemente nas redes sociais brasileiras foi o da jovem Julia Gabriele. Em 2013, Julia tinha apenas 11 anos de idade, quando foi alvo de inúmeros comentários ofensivos referentes à sua sobrancelha. A menina, sem entender as razões de tamanha maldade envolta a ofensas, publicava indagações no Twitter.
Fonte: Google Imagens (2015).
Fonte: Google Imagens (2015)
A incidência de crimes realizados na internet, os cyberbullyings, é tamanha que delegacias especializadas foram criadas para atender casos específicos de violência na internet. Infelizmente, ainda não há unidades espalhadas por todo o país, apenas no Distrito Federal, no Espírito Santo, em Goiás, no Mato Grosso do Sul, em Minas Gerais, no Pará, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. O endereço de cada unidade pode ser conferido aqui! Em Santa Catarina, mesmo que não haja uma unidade específica para crimes cibernéticos, desde o ano de 2011 a Polícia Civil do Estado treina seus servidores para que saibam atender vítimas desses casos e agir da melhor forma possível com os agressores. Se você morar em Santa Catarina e precisar de ajuda policial em casos de cyberbullying, vá até a unidade de Polícia Civil mais próxima de sua residencia e relate o caso!
Outra grande iniciativa ao combate do cyberbullying partiu de uma adolescente norte-americana de 14 anos denominada Trisha Prabh. Trisha, que idolatra Charles Darwin e Louis Pasteur, criou um software denominado "Rethink", o qual, traduzido ao português significa "repense", que basicamente faz com que o usuário pense duas vezes antes de postar uma mensagem. O software funciona assim: você tenta postar algo, se o sistema de informação detectar conteúdo ofensivo na postagem, ele informa o usuário que o conteúdo não é legal e o questiona se há certeza de uma postagem que poderá ofender pessoas. Nos testes, quando houve o alerta do software, aproximadamente 90% dos usuários desistiram das postagens (BBC BRASIL, 2014).
Trisha Prabh.
Fonte: Google Imagens (2015).
O cyberbullying é uma prática, infelizmente, comum na atualidade. As pessoas que a praticam se sentem protegidas por trás de um perfil em redes sociais e se sentem aptas para ofender seres humanos que, assim como eles, possuem sentimentos. É de extrema importância que os pais monitorem seus filhos nas redes, não como uma prática de prendimento, mas como uma ação preventiva a danos morais e psicológicos. Também é importante que as pessoas não se calem perante essas práticas e se coloquem no lugar de quem sofre as ofensas. NÃO SE CALE, PERCEBA, DEFENDA, DENUNCIE!
Dica: para que haja melhor entendimento sobre o assunto, há um filme estadunidense, dirigido por Charles Binamé e protagonizado por Emily Osment, denominado "Cyberbullying", que conta a história de Taylor, uma adolescente que, após participar de uma rede social, sofre cyberbullying e passar por terríveis conflitos psicológicos. O filme possui versão completa e dublada no YouTube e pode ser conferido aqui!
Fonte: Google Imagens (2015).
Referencias:
Apostila para Prevenção do Cyberbullying Dirigida aos Adolescentes. Disponível em: <http://www.chegadebullying.com.br/pdf/pt/Basta_CyberbullyingPamphlet.pdf> Acesso em: 01 dez. 2015.
BBC BRASIL. 2014 Adolescente de 14 Anos Cria Software para Reduzir Cyberbullying. Disponível em: < http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/08/140819_menina_bullying_lab>. Acesso em: 01 dez. 2015.
BRASIL ESCOLA. 2015. Cyberbullying. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/cyberbullying.htm>. Acesso em: 01 dez. 2015.
Delegacias Cybercrimes. Disponível em: <http://www.safernet.org.br/site/prevencao/orientacao/delegacias>. Acesso em 01 dez. 2015.
ESTADO DE SANTA CATARINA. Polícia Civil Difunde Entre Policiais Conhecimentos na Área de Crimes Cibernéticos. Disponível em: <http://www.policiacivil.sc.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=804:policia-civil-difunde-entre-policiais-conhecimentos-na-area-de-crimes-ciberneticos&catid=46:regiao-1&Itemid=107> Acesso em: 01 dez. 2015.
TORRES, César Augusto. Bullying – Vingança Silenciosa. São
Paulo: Biblioteca 24 Horas, 2011.





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